USP desenvolve primeiro prédio brasileiro climatizado

Eficiência energética, bem-estar do indivíduo e tecnologias integradas são algumas questões abordadas pelos especialistas Alberto Hernandes Neto e Cristina de Holanda Tsuha, ambos do Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS)

 29/07/2021 - Publicado há 2 meses  Atualizado: 12/08/2021 as 17:13
Foto: Thaise Morais/EESC-USP – Fapesp

 

A USP vai erguer o primeiro edifício climatizado com energia geotérmica. Para comentar sobre os processos geotérmicos envolvidos na climatização de ambientes a partir do solo no projeto de construção do edifício foram convidados Alberto Hernandes Neto, professor da Escola Politécnica (Poli) da USP, e a professora Cristina de Holanda Tsuha, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. Ambos são pesquisadores do Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS) da Poli e explicam algumas questões ao Jornal da USP no Ar 1° Edição.

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Conforme explica o professor da Poli, a geotermia não é uma tecnologia nova e já é utilizada em construções de outros países. “A ideia também é montar uma pesquisa para mostrar a viabilidade desse sistema aqui no Brasil.” Em complemento, a professora da EESC destaca que a tecnologia utilizada funcionará a partir da geotermia superficial. “A temperatura do solo, até uns 300 e 400 metros de profundidade, é constante ao longo do ano. Então, a temperatura do solo vai ser inferior à temperatura ambiente no verão e superior a ela no inverno.” A proposta do CICS, de acordo com Cristina, é usar a energia para trocar o calor da superfície com o solo para climatizar ambientes. Sobre o projeto, ela revela que a própria estrutura e fundação do prédio enterrada no terreno será aproveitada no sistema, por onde circulará o fluído para trocar calor com o solo. “A nossa pesquisa também vai monitorar e buscar formas de adaptação do sistema para nossa situação subtropical”, complementa.

Foto: Facebook.com/usppolitecnicaconstrucaocivil

 

De acordo com Alberto, o projeto do CICS foi pensado de maneira integrada, associando todos os atores e tecnologias na elaboração do projeto. A partir dessa integração, a construção se torna eficiente e economicamente viável. “O projeto do CICS está pleiteando a certificação Energia Zero: ele vai ser um prédio em que toda energia consumida será gerada pela própria estrutura, o que só é possível através da integração dos atores do processo”, reforça. A preocupação com a eficiência energética da construção sem impacto ambiental e a experiência do indivíduo no ambiente é um dos desafios principais do projeto. “O grande norte é esse: garantir que o usuário está bem, de maneira global, com o melhor desempenho e sem impacto ambiental. Esse é o grande desafio do futuro.”

A geotermia, segundo o professor da Poli, é só uma das tecnologias integradas no prédio. “Já foram feitas algumas patentes na área de fundação e estaqueamento que foram desenvolvidas em conjunto dentro da Poli. Então, a ideia do CICS não é só testar a tecnologia, mas também levar novas tecnologias para o setor de construção civil e do mercado.” O projeto ainda está em desenvolvimento e já estão sendo feitos experimentos para garantir a eficiência do sistema. A expectativa, de acordo com os especialistas, é de que o prédio já esteja em operação até o final de 2022.


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