Uso de gás natural diminui emissão de material particulado

A adoção do GNV em locais costeiros, fora benefício ambiental, acarreta choque de custos de combustíveis

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Foto: Divulgação Petrobras via Portal Brasil

Esta semana, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que o governo deve lançar até junho um pacote para promover a abertura do mercado de gás e ampliar a sua produção. O programa, chamado de Novo Mercado de Gás, será coordenado em conjunto com o Ministério da Economia e será uma tentativa de cumprir a promessa do “choque da energia barata”, anunciado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. 

“O gás, apesar de ser um combustível fóssil, tem uma queima mais limpa, então seria um avanço contra as mudanças climáticas, pois haveria uma redução da emissão de material particulado, a fuligem”, atesta o professor Pedro Luiz Côrtes, coordenador da Rede Internacional de Estudos Sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade (Rimas), na coluna O Ambiente é Nosso Meio. Ele argumenta que o ideal seria o uso do biodiesel, mas aumentar a porcentagem do combustível na mistura feita hoje, ou aplicá-lo puro, demandaria uma nova tecnologia dos motores à combustão, sobretudo de caminhões.

O pesquisador chama a atenção para a boa gestão ambiental, não descolada do manejo racional da economia. “Uma boa política verde busca eficiência das matrizes e diminuição de perda. Não vai na contramão da produtividade”, diz. A adoção do gás, especialmente no litoral, gera uma redução de custos. O material é extraído na própria região, o transporte é fácil, e o preço mais baixo em consequência.

O Brasil, além disso, possui tecnologia para o uso de gás para fins veiculares. Exportamos ônibus e carros adaptados ao GNV para a Colômbia, e agora há uma tecnologia flex. “Um mesmo caminhão poderia usar tanto o combustível tradicional, como o outro”, alega  Côrtes. E, segundo o entrevistado, na concorrência o diesel tem desvantagem.

A adoção do gás, salvo o transporte de carga, pode chegar às vias urbanas. “O sucesso dessa política seria colocar o gás no cotidiano das pessoas. Essas soluções permeiam o nosso dia a dia. As pessoas não apenas sentiriam a economia no bolso, como reduziriam a poluição”, declara o professor. Ele continua defendendo que pastas, salvo a do Meio Ambiente, devem assumir o tema. “O ministério de Paulo Guedes, como é o mais articulado, ganha uma centralidade política muito grande”, conclui.

Vale lembrar, de qualquer maneira, que o gás natural é um combustível fóssil. “O País não deve deixar de investir em tecnologia para o consumo do biodiesel. Estratégica, dado o potencial de exportação e a eficiência ambiental”, argumenta Côrtes.

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