Universidade pública garante avanço da sociedade no longo prazo

Paulo Saldiva diz que as universidades formam líderes qualificados e produzem soluções para problemas locais

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Damos sequência hoje à série Porquê da Universidade Pública em que analisamos, com pesquisadores, especialistas da área da educação, ex-reitores da USP, a universidade como lugar da pesquisa científica e ensino, de desenvolvimento para a sociedade, a universidade como espaço público de ideias e a importância de sua autonomia.

“A sociedade das abelhas não tem debate. Todo mundo sabe o que fazer, mas não tem progresso”, diz o professor Paulo Saldiva, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina (FM) e diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP . Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, ele explica que a universidade é um local reunindo várias áreas do conhecimento, diversas posições, pessoas que às vezes se contradizem e de muitos jovens querendo mudar o mundo. “Esse choque de posições é a essência da universidade. Toda vez que há uma visão hegemônica, como em setores da idade média, existe um retrocesso intelectual e cultural”, comenta.

Saldiva ressalta a importância da universidade na resolução de problemas. “É preciso um certo descompromisso com a necessidade imediata de lucros. É uma instituição que busca o desenvolvimento de longo prazo”, esclarece o médico. “Em um mundo governado por entre 70 e 80 grandes corporações, e sem uma Organização das Nações Unidas (ONU) para geri-las, o engajamento fica com os acionistas e proprietários”, indica. A universidade pública tem um papel-chave justamente nos assuntos abandonados por essas companhias.

Professor Paulo Hilário Saldiva – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Vacinas contra doenças não comuns na Europa não são desenvolvidos pela iniciativa privada, mas sim na universidade. É assim com controle de mosquitos, com o zika vírus. O pré-atendimento hospitalar, fundamental para trazer as pessoas vivas dessa guerra que acontece nas ruas. Tudo isso foi feito na USP para atender às necessidades do Brasil”, lembra Saldiva. E no exterior não é diferente. O médico recorda de uma conversa com uma neurocientista que foi presidente do Massachusetts Institute of Technology (MIT). “Ela disse que o MIT arrecada menos de 10% do que gasta com pesquisa com o que recebe em patentes e mensalidade. Investem para formar pessoas que criem novas patentes e conhecimento para os Estados Unidos e para o estado de Massachusetts”. Em Israel, quando governo quis plantar em terreno arenoso e dessalinizar a água, investiu na pesquisa universitária. Com parceria da USP, vale lembrar.

São Paulo foi o primeiro Estado, na época província, a investir na educação e formação de quadros de alto nível, visando ao seu desenvolvimento. Foi onde apareceram as primeiras escolas de ensino fundamental e médio gratuitas. No fim do século XIX e começo do século XX, surgiram as primeiras instituições de ensino superior paulistas que, em 1934, se uniram sob o nome Universidade de São Paulo. “De lá para cá, formou-se gente com liderança, capaz de pensar os problemas locais”, declara o professor. Essa estrutura de conhecimento foi fundamental para o avanço tecnológico brasileiro. Segundo Saldiva, no cerne do desenvolvimento do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, que foi um projeto para estabelecer um parque industrial aeronáutico competitivo, estavam professores da USP. Nos grandes avanços da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pesquisadores da USP também foram fundamentais. Na extração de petróleo em águas profundas, o mesmo. “É uma ilusão o desenvolvimento científico a partir da iniciativa privada, principalmente em um ambiente empresarial sem segurança como o do Brasil.”


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