Universidade pública deve tratar com naturalidade cobranças da sociedade

Professor Pedro Dallari comenta sobre a necessidade de autonomia das instituições e responsabilidade com gastos públicos

jorusp

Durante a série Porquê da Universidade Pública, o Jornal da USP no Ar entrevistou semanalmente importantes nomes da área da Educação para refletir sobre os papéis da universidade na sociedade. No episódio de encerramento, o convidado foi o professor Pedro Dallari, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP e colunista da Rádio USP. Ele comentou sobre a situação da Universidade na opinião pública atualmente, explicou a importância da autonomia para seu funcionamento e ainda discorreu sobre as possibilidades de novas formas de financiamento.

Dallari destaca a universidade pública como principal instrumento de desenvolvimento da sociedade através de três fatores. Primeiramente pela produção de pesquisas, que possibilitam a compreensão do funcionamento da sociedade e da natureza. Além disso, a própria universidade é responsável por disseminar esse conhecimento e também formar profissionais que trabalharão com técnicas desenvolvidas a partir do que foi produzido ali.

Acima de tudo, ele afirma que a autonomia da universidade pública é imprescindível, e sem ela é impossível produzir conhecimento. Isso porque a produção, a investigação e a pesquisa demandam liberdade daqueles que vão buscar as causas dos problemas ou dos fenômenos sociais e naturais. Na medida em que a autonomia é viabilizada com recursos que a sociedade injeta, é natural que a sociedade exija da universidade responsabilidade nos gastos públicos e queira prestação de contas.

Pedro Dallari – Foto: USP Imagens / Cecília Bastos

O professor percebe uma situação atual no Brasil, e em países ao redor do mundo, de muita crítica negativa da população em relação ao funcionamento do Estado e o poder público. “As pessoas adquiriram cada vez mais consciência e estão muito insatisfeitas com a forma como o Estado dá retorno aos recursos que são recolhidos por meio de impostos”, pontua.

No entanto, para Dallari, essa situação não é por si só negativa porque o fato de a sociedade estar atenta sobre o Estado é positivo e pode gerar aprimoramento das instituições, inclusive da universidade. “Devemos encarar com naturalidade que tenhamos que prestar contas à sociedade, precisamos explicar o que fazemos e convencê-los de que esse trabalho os beneficia”, explica.

Ao refletir sobre as alternativas em relação às formas de financiamento da universidade, o especialista expõe que a cobrança de mensalidades não seria uma boa alternativa, porque, além de representar parcela muito pequena do orçamento, iria no sentido contrário de se democratizar o acesso ao ensino superior.

Uma possível alternativa de financiamento seria a realização de parcerias com o setor privado. “Em todas as universidades de ponta do mundo, o setor privado, que é grande beneficiário das pesquisas produzidas, contribui com a universidade através de regimes de parceria”, explica Dallari. Não seria contradição buscar diferentes formas de financiamento, desde que mantida a autonomia da universidade.


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