Transplante de pênis está em fase experimental

Urologista do HC comenta cirurgia bem-sucedida nos EUA e diz que o procedimento ainda não chegou ao Brasil

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Foi realizado, nos Estados Unidos, o primeiro transplante total de pênis, em um soldado com ferimentos graves causados por uma explosão. O procedimento durou 14 horas e contou com a presença de nove cirurgiões plásticos e dois urológicos. Daher Chade, médico da Clínica Urológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, conta que a cirurgia é um marco por ter transplantado não só o órgão, mas sim o conjunto da genitália masculina, incluindo a região escrotal.

A técnica ainda está em fase experimental. Com o desenvolvimento desses métodos cirúrgicos é esperado um avanço no tratamento não só de traumas ou ferimentos na região genital, como também de câncer de pênis, afirma Chade. O doutor diz, ainda, que hoje há um esforço da comunidade médica no sentido de minimizar os casos de amputação de pênis e reduzir a mutilação causada no órgão.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O transplante de pênis, segundo Chade, é um procedimento complexo. Além da técnica microcirúrgica apresentar especificidades complicadas, há questões emocionais e funcionais. Os homens nem sempre reagem bem ao novo órgão e a cirurgia não tem objetivo puramente estético, pretende devolver ao paciente a funcionalidade da parte urinária e a potência sexual. A função reprodutora, por sua vez, não é recuperada. Nesse sentido, o médico revela a discussão ética envolvida: como os testículos são armazenadores de espermatozoides, o material genético passado ao filho seria diferente do DNA do indivíduo transplantado.

Concluindo, Chade alerta para a importância de, quando percebidos os primeiros sintomas e lesões, procurar um médico. Ele revela que 80% das amputações realizadas hoje seriam evitadas se o paciente tivesse sido diagnosticado precocemente. Além da dificuldade de acesso aos serviços de saúde, o doutor entende que há questões educacionais e culturais dos homens que fazem com que eles adiem a busca por tratamento.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

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