Transmissão comunitária do coronavírus ainda se concentra na China

Esper Kallás, da FMUSP, explica os critérios da OMS para classificar epidemia e diz que Brasil está importando sondas para exames mais rápidos

A epidemia do novo coronavírus já registrou 6.152 casos confirmados em diversos países, sendo 6.061 apenas na China, país que já contabilizou 132 mortes. Parte de uma cadeia de vários vírus que provocam infecção respiratória, eram conhecidos quatro coronavírus mais comuns, que se assemelhavam a um resfriado mais forte. Porém, nos últimos 20 anos, foram identificados outros coronavírus.

“Temos outros três coronavírus que foram transmitidos recentemente de animais para humanos. O primeiro deles, chamado de Sars (Síndrome Respiratória Aguda Severa), foi detectado no sul da China, em 2002. Depois teve o Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), registrado a partir de 2012. Agora, temos o chamado novo coronavírus 2019, identificado no centro da China”, explica Esper Kallás, professor do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina (FMUSP), em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

Número de mortes pelo coronavírus passa de 100 na China – Foto: Tyrone Siu via Agência Brasil / EBC

O coronavírus foi registrado, até o momento, em 18 países. A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza dados de relatórios enviados principalmente pela China. “Os métodos de diagnóstico e a fórmula de notificação do vírus nos diversos países não são necessariamente os mesmos”, aponta Kallás. O vírus está se espalhando de forma rápida através de viagens, ou seja, da circulação de pessoas pelo mundo. Já se sabe que a transmissão pessoa-pessoa, em maior escala, está restrita à região central chinesa. A cidade de Wuhan é a que mais contribui para casos notificados até o momento e segue isolada para entrada e saída de civis. “Quando você vê que a epidemia está restrita a uma região, há um pouco mais de cautela em dizer que isso é uma emergência mundial, que requer uma série de medidas a serem tomadas nos países.”

Ainda não são conhecidos os sintomas específicos desse coronavírus, visto que ele se assemelha bastante a outras infecções respiratórias de origem viral, com sintomas como febre, mal-estar, tosse e falta de ar. “(Para o diagnóstico) você precisa saber se é o novo coronavírus 2019 ou se é um vírus qualquer, como o da gripe. Temos uma tecnologia que coleta secreção respiratória e identifica a presença do material genético do vírus.” Esse teste é chamado de PCR ou Reação em Cadeia de Polimerase.

“O problema daqui do Brasil é que estamos no processo de importação das sondas do novo coronavírus 2019. Temos uma dificuldade no Brasil, pela burocracia local, de obter reagentes todas as vezes que precisamos. Seja para fazer diagnóstico clínico ou para pesquisas mais básicas.” O professor cita, como exemplo, o caso suspeito em Belo Horizonte (MG), que tem diagnóstico sendo feito por uma técnica muito alternativa, trabalhosa e mais cara. “(Vai ser assim) até que a gente tenha essa reação de PCR do novo coronavírus disponível, seja pelo serviço público ou por laboratórios de pesquisa.”

Ouça a entrevista completa no player acima.


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