Transexualidade, aborto e eutanásia são discutidos à luz da bioética

Cláudio Cohen e Reinaldo Oliveira explicam que “bioética é ponte entre direito e medicina”

jorusp

Os avanços na medicina conferem à humanidade uma capacidade de transformação sobre si e outros seres vivos que já não cabe mais em dogmas religiosos. O debate ético no campo da filosofia tenta fugir dos pré-juízos desde a antiguidade, mas ainda se ampara em tendências da sociedade. Hoje, estão em voga assuntos como transexualidade, a clonagem de outros seres humanos, liberalização do aborto; polêmicos para alguns, nem tanto para outros, e que podem ser discutidos sob a ótica da biologia.

Nesse contexto, o livro Bioética, Direito e Medicina levanta dados, sob a luz da ciência, para iluminar esses duros debates. Segundo o professor Reinaldo Ayer de Oliveira, do Departamento de Ética Médica e Bioética da Faculdade de Medicina (FM), a discussão é inevitavelmente amparada em valores, mas estudos facilitam a liberdade de pensamento característica da universidade. À medida que a ciência avança, são definidos novos certos e errados; o que a lei permite ou não permite. “A bioética é uma ponte entre o direito e a medicina”, diz ao Jornal da USP no Ar.

De acordo com o professor Cláudio Cohen, também da FM, a revolução moral começa após a Segunda Guerra Mundial. “Nos anos 60, com o feminismo, chegam novos conceitos, até mesmo de família”, conta. Coordenador do Núcleo de Estudos de Bioética da USP, ele explica que no panorama dessas novas concepções são percebidos os transgêneros. No livro, essas questões são abordadas sob uma perspectiva transdisciplinar.

Foto: 123RF

Menos maleáveis que a ética, as leis são discutidas no livro, da mesma forma. Oliveira aponta que, uma vez proibido o aborto no Brasil, os autores trabalham casos em países onde a prática é legalizada. Sendo um material acadêmico para estudantes da área da saúde, o trabalho tenta fugir do “pode ou não pode”. A partir de objetos, hipóteses e resultados, o leitor extrai suas deduções.

Cohen ressalta a seriedade do debate da bioética, já que a cada dia a ciência se supera. “Pode-se clonar uma ovelha, mas não outro ser humano. Apesar de proibida aos homens, a eutanásia é permitida para animais. Por quê? Isso é bioética”. Hoje, os estudos sobre o genoma humano e a possibilidade de alterá-lo geram discordâncias.

Oliveira defende que o livro traz evidências importantes, em uma época na qual o método científico é negado por parte da população. “O ciclo da ciência só é completo com a divulgação para a sociedade”, alega.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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