Transações via Pix mudam a dinâmica de pagamentos

Luciano Nakabashi diz que isenção de taxa e praticidade nas transferências são os principais benefícios, mas que é preciso cuidado com golpes e fraudes

 14/06/2024 - Publicado há 1 mês
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Pagamentos via Pix é benéfico para consumidores e empresários – Foto: Freepik
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O Banco Central fez um levantamento que mostrou que as movimentações financeiras com Pix no Brasil aumentaram mais de 50% de 2022 para 2023 e representam 36% dos pagamentos. Ainda segundo dados do BC, em 2024 o País bateu o recorde de transferências digitais em um dia, com mais de 134 milhões de transações. Devido ao aumento de transferências digitais, a circulação de cédulas tem diminuído cada vez mais e o pagamento por dinheiro em espécie tem se tornado segundo plano para boa parte da população.

Luciano Nakabashi – Foto: Arquivo Pessoal

“As tecnologias como Pix, cartão de crédito, cartão de débito e, em outro momento, cheque, vão substituindo o papel moeda e, consequentemente, há uma necessidade menor da produção dessas células físicas”, é o que explica o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, Luciano Nakabashi.

Com os avanços de diversas tecnologias como forma de pagamento, o Pix se diferencia das demais por não ter taxa para realizar transações, este fator faz com que os pagamentos de boletos, compras em comércios e transferências bancárias  se tornem instantâneas e sem burocracia, facilitando situações diárias que ocorrem na rotina de um comerciante, por exemplo. 

Nakabashi entende que as transferências digitais são benéficas “tanto para o consumidor, que não tem que carregar o dinheiro, quanto para o comerciante, tendo em vista que o vendedor se isenta das taxas de maquininha dos cartões de crédito, já que esse serviço acaba sendo um custo adicional”.

Cuidados e alertas

Embora as transferências digitais apresentem diversos benefícios, questões como golpes e fraudes são frequentes. Para se ter uma base, ainda segundo o BC, cerca de 2,5 milhões de golpes via Pix foram aplicados no Brasil no ano de 2023. Pelo fato de a maioria das transferências não ser realizada na presença da pessoa, o que pode ser feito para evitar golpe é fazer a conferência da chave do destinatário – nesse processo, o professor da FEA-RP alerta que “vai ter gente querendo passar golpe falando para mandar o Pix para pagar alguma coisa”.

Assim como os destinatários, os remetentes das transações também devem estar atentos aos pagamentos e recibos. O recebimento de comprovantes falsos é muito comum  em estabelecimentos. “A pessoa mostra um comprovante que já foi feito anteriormente e o comerciante não olha direito, deixa passar e a pessoa vai embora”, alerta.

Disparidade nos setores

A praticidade, a alta das transferências digitais e a diminuição na circulação de cédulas são benéficas para os varejistas, pois ganham tempo nas questões diárias e, dependendo do comércio, “não vale a pena contratar uma maquininha para fazer esse tipo de serviço, quando o consumidor não tem dinheiro”, explica o professor. Em contrapartida, os serviços financeiros enfrentam dificuldades com o aumento das transações digitais, pois vão perdendo espaço no mercado e, consequentemente, o banco vai perdendo serviço, já que boa parte da receita não é por empréstimo e sim por taxa de maquininha.

As instituições financeiras vêm perdendo espaço e enfrentando desafios. Para se adaptarem ao novo cenário, elas têm investido na compra das chamadas fintechs, empresas que introduzem inovações nos mercados financeiros por meio do uso intenso de tecnologia, com potencial para criar novos modelos de negócios como forma de se adaptar ao novo cenário. Nubank, PicPay e Pagseguros, são exemplos de fintechs. Nakabashi entende que “algumas  perdas não têm uma recomposição direta, mas existe adaptação para que as instituições não fiquem para trás em termos tecnológicos”.

*Estagiário sob supervisão de Ferraz Junior


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