Trabalho cresce mais no interior que nas capitais pela informalidade

Sérgio Sakurai acha positivo o recuo da taxa de desemprego no País em dez das 27 unidades da Federação

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Um levantamento feito a partir de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) revelou que o desemprego no interior é menor que nas regiões metropolitanas em 18 Estados brasileiros. Na comparação com a taxa de desocupação do País, de 12,7%, apenas dez regiões de interior tiveram desemprego maior que o índice nacional. No segundo trimestre, a taxa de desemprego do País recuou para 12% em dez das 27 unidades da Federação, na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano. O estudo considerou o interior como todos os municípios dos Estados, excluindo regiões metropolitanas (quando existentes) e as capitais.

Jornal da USP no Ar, com a participação do jornalista Ferraz Junior, conversou com o professor Sérgio Sakurai, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP), sobre o que significam esses dados. Ele explica que é necessário avaliá-los com cuidado, porque “o próprio IBGE enfatiza o fato de o desemprego no interior ter características diferentes daquele observado na região metropolitana e capitais de Estados, principalmente no que diz respeito à informalidade: 62,4% das pessoas que trabalham informalmente estão no interior. No Brasil como um todo, isso caracteriza cerca de 36%  da população. Esse fato é o aspecto negativo desse contexto enfrentado pelo mercado de trabalho brasileiro do interior”.

O crescimento das relações informais de trabalho é motivo de preocupação, já que nesse tipo de atividade não há garantia de direitos e benefícios trabalhistas, como carteira assinada ou acesso ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Um fator positivo é a desburocratização, o que agiliza o mercado por meio de contratações e demissões mais rápidas. Nesse sentido, Sakurai afirma que a Medida Provisória da Liberdade Econômica, aprovada recentemente, pode ajudar de certa forma a diminuir a informalidade, pois “ela encara toda a burocracia que envolve a abertura de negócios no Brasil, já que o principal problema retratado por pessoas que abrem seu próprio negócio é que muitas vezes ele se torna inviável, por conta das dificuldades em abrir e fechar uma empresa no Brasil, além da carga tributária alta. Esses e tantos outros fatores acabam inviabilizando, por muitas vezes, esse tipo de exercício do trabalho formal”.

O professor também analisa o motivo pelo qual o interior possui o maior número de relações de trabalho informais: “Isso está relacionado ao fato de que o interior concentra boa parte da atividade agrícola, e também está atrelado à própria capacidade do Ministério do Trabalho de fiscalizar as relações trabalhistas no interior, que são mais difíceis de serem realizadas em comparação aos grandes centros metropolitanos”. Mesmo que o Brasil esteja passando por dificuldades na economia, o setor agrícola vem conseguindo manter o ritmo e é o principal sustentáculo do Produto Interno Bruto do País, enquanto que a indústria segue em queda. Segundo o especialista, “a recuperação da economia vai envolver a readequação das atividades produtivas no Brasil. O agronegócio vai continuar sendo um importante setor da economia, mas, para que haja a recuperação do setor industrial, vai haver a necessidade de mudanças no perfil de gestão das empresas. Só assim conseguiremos absorver o contingente de pessoas desempregadas ou desalentadas”.


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