Taxação dos mais ricos traria fundos para manutenção de programas sociais

Para Paulo Feldmann, os mais vulneráveis, que dependem do auxílio emergencial, também estão sofrendo impactos pela volta da inflação, especialmente dos alimentos

Muitas dúvidas existem em torno de como a economia brasileira irá retomar o ritmo após o impacto sofrido pela pandemia. Ajustes e acordos foram feitos, aproveitando-se do “orçamento de guerra” aprovado pela Câmara dos Deputados para este ano, o que, de certa forma, reduziu as amarras em torno dos gastos feitos pelo governo devido ao momento de calamidade vivido pela sociedade. Mas qual será o resultado dessas ações?

O rombo nas contas do governo superou R$ 500 bilhões até julho, sendo o pior resultado da história e, com a diminuição da atividade econômica, o Produto Interno Bruno (PIB) caiu 9,7%, além de um aumento na inflação por conta dos preços de alimentos básicos, como o arroz e o feijão. “O Brasil está exportando commodities de uma forma muito intensa, o que é bom, só que não sobra produto agrícola para colocar aqui dentro do mercado. Os produtores agrícolas estão preferindo vender tudo lá fora, principalmente na China”, comenta Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Feldmann explica que, justamente no momento em que a população pode usufruir do auxílio emergencial de R$ 600, é também o momento que o povo está indo no mercado e não encontrando alimentos como feijão, carne, milho, entre outros. De acordo com ele, a inflação dos alimentos está entre 10% a 12% ao ano, um valor muito alto.

Apesar dos resultados ruins, alguns índices mostram que, neste terceiro trimestre, com a retomada de algumas atividades comerciais, a economia pode crescer, até mais do que a média mundial. O professor explica que isso se deve ao valor inicial do auxílio emergencial, que ajudou muitas famílias. Recentemente, o valor foi reduzido para R$ 300 e, em breve, o programa Renda Brasil também poderá entrar em vigência, o que exigirá um elevado investimento do governo, algo em torno de R$ 180 bilhões. “Mas de onde tirar o valor necessário para isso? A forma mais fácil, que seria adotada em qualquer país, e até já foi feita em países desenvolvidos, é você taxar a riqueza. Você taxa os bilionários, os milionários, você muda as alíquotas do imposto de renda, cria um imposto sobre a riqueza. Dessa forma, você consegue facilmente os R$ 180 bi necessários”, comenta Feldmann.

A volta da inflação é o principal temor para o professor, pois, com a aparente desorganização das contas governamentais, a importação pode diminuir ainda mais ou não ser suficiente, prejudicando os mais vulneráveis e relembrando momentos complicados vividos no passado com inflação elevada.

Saiba mais ouvindo a entrevista completa no player acima.


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