Taxa de desocupação saltou de 45% para 53% durante a pandemia

Migração de oito pontos porcentuais para fora do mercado de trabalho altera proporção histórica de pessoas não ocupadas. Hélio Zylberstajn afirma que o aumento do isolamento social pode levar a uma piora maciça no desemprego

 11/03/2021 - Publicado há 6 meses

 

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que, com a chegada da pandemia, 13,9 milhões de pessoas ficaram desempregadas até dezembro – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O início de 2020 foi marcado por um surto no crescimento de trabalhos com carteira assinada, afetando o crescimento da informalidade. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que, com a chegada da pandemia, 13,9 milhões de pessoas ficaram desempregadas até dezembro, com a maior taxa média da série iniciada em 2012. O setor de serviços, como restaurantes, hotelaria e viagens, foi o mais afetado.

O Jornal da USP no Ar 1ª Edição conversou com o professor Hélio Zylberstajn, da Faculdade de Economia,  Administração e Contabilidade (FEA) e coordenador do Projeto Salariômetro da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Segundo Zylberstajn, prender-se apenas à taxa de desocupação – antigamente chamada de taxa de desemprego – não é o suficiente para uma análise da situação, uma vez que é necessário levar em conta também a taxa de não ocupação, população que está em idade de trabalho (a partir dos 14 anos), mas que não trabalha, como  jovens estudantes, enfermos, detentos, etc. “A proporção histórica de todos os que têm idade para trabalhar mas não trabalham é de 45%, segundo o IBGE na PNAD. Durante a pandemia, esses 45% pularam para 53%. Esse número nos dá uma ideia mais completa”, explica o professor. Ou seja, houve uma migração de oito pontos porcentuais desse total para fora do mercado de trabalho.

Como a pandemia afetou também as pesquisas, Zylberstajn lamenta a falta de dados nos primeiros meses de 2021 e teme o que está por vir. “Nós tivemos no ano passado um aporte muito grande de diversas formas de crédito para as empresas, não sabemos se este ano teremos a mesma coisa e em que extensão, mas isso é importante também para dar um pouco de oxigênio, coisa que está faltando, para as empresas”, afirma, ressaltando que a restrição de circulação imposta pelo lockdown pode levar a uma nova migração maciça de pessoas para fora do mercado de trabalho. Um novo auxílio emergencial foi recentemente votado no Congresso, valor limitado a R$ 44 bilhões e que vai durar alguns meses, “uma pequena ajuda que vai sustentar um pouco o consumo das famílias mais pobres e a grande incerteza que está pairando sobre as nossas cabeças”, completa o professor.


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