Streaming será o espaço para divulgação e consumo do audiovisual

Roberto Franco Moreira também acredita que estreias nas diversas plataformas, após crise do coronavírus, terão mais impacto no streaming do que em uma sala de cinema

Todos já sabem que a pandemia afetou diversos setores e o cinematográfico não ficou de fora. Com produções e lançamentos paralisados no mundo todo, o audiovisual no Brasil e no exterior se prepara para uma lenta retomada física ou on-line. No Japão e na China, por exemplo, houve neste mês de setembro o lançamento do filme live-action Mulan (2020), enquanto o longa foi lançado nos EUA pela plataforma Disney+. Aqui também houve estreias de produtos nacionais gravados antes da pandemia, nesses serviços.

“Tivemos uma situação muito difícil e todos os produtores estão ansiosos para voltarem a trabalhar. Pelas informações que eu tenho, a maioria das produtoras [brasileiras] já está voltando às atividades”, afirma Roberto Franco Moreira, professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Contudo, a situação para distribuição dos produtos brasileiros está complicada.

No Brasil, quando for possível a reabertura dos cinemas, os filmes brasileiros terão como concorrentes os chamados blockbusters americanos (produções geralmente de Hollywood, populares e bem-sucedidas) que tiveram suas estreias adiadas. A situação se agrava quando se leva em conta que os exibidores estão sem faturamento e vão priorizar os blockbusters. Moreira considera a ida de produtos brasileiros para o streaming a melhor solução para os produtores.

“Seja Netflix, Globoplay, Amazon, NOW, não importa. Eu acho que [estreias vão] ter mais impacto no streaming do que em uma sala de cinema”, avalia. Ainda segundo ele, a pandemia acelerou a transição para o digital em várias áreas, incluindo o audiovisual. “O streaming ganhou proeminência e vai ser o espaço mais importante para divulgação e consumo do audiovisual.” É o que já está acontecendo com estreias globais de séries brasileiras como Boca a Boca, com Juliana Rojas, formada na ECA, integrando a direção com o criador Esmir Filho, e também 3%, série original Netflix, que nasceu na USP e teve sua quarta e última temporada lançada em agosto.

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