Streaming será o espaço para divulgação e consumo do audiovisual

Roberto Franco Moreira também acredita que estreias nas diversas plataformas, após crise do coronavírus, terão mais impacto no streaming do que em uma sala de cinema

 14/09/2020 - Publicado há 1 ano
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Todos já sabem que a pandemia afetou diversos setores e o cinematográfico não ficou de fora. Com produções e lançamentos paralisados no mundo todo, o audiovisual no Brasil e no exterior se prepara para uma lenta retomada física ou on-line. No Japão e na China, por exemplo, houve neste mês de setembro o lançamento do filme live-action Mulan (2020), enquanto o longa foi lançado nos EUA pela plataforma Disney+. Aqui também houve estreias de produtos nacionais gravados antes da pandemia, nesses serviços.

“Tivemos uma situação muito difícil e todos os produtores estão ansiosos para voltarem a trabalhar. Pelas informações que eu tenho, a maioria das produtoras [brasileiras] já está voltando às atividades”, afirma Roberto Franco Moreira, professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Contudo, a situação para distribuição dos produtos brasileiros está complicada.

No Brasil, quando for possível a reabertura dos cinemas, os filmes brasileiros terão como concorrentes os chamados blockbusters americanos (produções geralmente de Hollywood, populares e bem-sucedidas) que tiveram suas estreias adiadas. A situação se agrava quando se leva em conta que os exibidores estão sem faturamento e vão priorizar os blockbusters. Moreira considera a ida de produtos brasileiros para o streaming a melhor solução para os produtores.

“Seja Netflix, Globoplay, Amazon, NOW, não importa. Eu acho que [estreias vão] ter mais impacto no streaming do que em uma sala de cinema”, avalia. Ainda segundo ele, a pandemia acelerou a transição para o digital em várias áreas, incluindo o audiovisual. “O streaming ganhou proeminência e vai ser o espaço mais importante para divulgação e consumo do audiovisual.” É o que já está acontecendo com estreias globais de séries brasileiras como Boca a Boca, com Juliana Rojas, formada na ECA, integrando a direção com o criador Esmir Filho, e também 3%, série original Netflix, que nasceu na USP e teve sua quarta e última temporada lançada em agosto.

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