“Sólove” faz cartografia histórica do sexo na cidade

Em cartaz na Casa da Imagem, a exposição discute o amor e a sedução na cidade de São Paulo

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A manifestação do amor, sedução e sexualidade nos espaços públicos da cidade está na mostra Sólove. Interessante é observar como a cidade reagiu a estas questões nos últimos cem anos. Sob a curadoria de Henrique Siqueira e Monica Caldiron, a exposição em cartaz na Casa da Imagem reúne fotos de artistas convidados, obras do acervo do Museu da Cidade e de outras instituições.

“A exposição tem o sugestivo nome Sólove, um bordão que ficou famoso a partir de uma música da dupla Claudinho e Buchecha, ícones históricos do funk carioca, uma manifestação cultural associada aos bailes e às danças carregadas de eroticidade”, observa Giselle Beiguelman, artista e professora da FAU-USP (ouça no player acima).

“Dividida em módulos temáticos, as imagens compõem uma cartografia da sexualidade, indo de lugares públicos, como a antiga Ilha dos Amores, onde hoje fica o Parque Dom Pedro, até as políticas de controle da visibilidade do sexo e as manifestações que trouxeram para as ruas as reivindicações da mulher e da diversidade de gêneros”, explica a professora. “A exposição mostra os espaços do flerte, os territórios do sexo extraconjugal, como os cabarés, do início do século 20, e os motéis dos anos 1970 em diante, e a emergência das diferenças, com as pautas relacionadas à afirmação da identidade e das políticas de gênero, que marcaram profundamente o fim dos anos 1970 e os 1980, chegando às novas plataformas de ativismo que emergem com a internet.”

Giselle Beiguelman destaca: “Em outros momentos, a exposição apresenta fotos e ensaios que documentam a delimitação de uma área de tolerância à prostituição no bairro do Bom Retiro durante o Estado Novo, bem como a repressão à prostituição durante a ditadura militar na Boca do Lixo e Boca do Luxo, registrada por Juca Martins na década de 1970, e as ruas tomadas pela Parada do Orgulho Gay”.

A São Paulo de Sólove é registrada por fotógrafos como Armando Prado, Carlos Moreira,  Chico Vizzoni, Cristiano Mascaro e Thomaz Farkas, Edu Marim, Roberto Wagner e Leo Sombra, entre outros.

Sólove fica em cartaz até 7 de julho. O Museu da Imagem fica na rua Roberto Simonsen, 136-B, Sé.

Mais informações sobre as obras e os  temas tratados estão em www.desvirtual.com

 

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