Socióloga traça trajetória da imagem da mulher no Ocidente moderno

A obra de Isabelle Anchieta revela as ambiguidades e estereótipos da representação feminina

A imagem da mulher vem acompanhada de diversos estereótipos, sua construção é realizada a partir de diferentes visões. Mas será que são impostas as mesmas características desde os século 15 e 17? Como resposta para a questão, Isabelle Anchieta, doutora em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, escreveu o livro Imagens da Mulher no Ocidente Moderno, publicado pela Edusp, que remonta aos primórdios da individualização e humanização na sociedade por meio da imagem da mulher.

Isabelle Anchieta explica ao Jornal da USP no Ar que as mulheres nem sempre foram objetos passivos de representações, pois em alguns casos souberam usar de forma inteligente as imagens a seu favor e até mesmo alterar os sentidos. A pesquisadora ainda explica que a auto representação não foi o marco de tomada de poder da mulher, pois os homens não representavam apenas a mulher ideal e pacificada, mas também o medo e o fascínio que elas provocavam sobre eles.

Imagem: Visual Hunt

A obra foi fruto de oito anos de pesquisa da socióloga. Ela explica que sua ideia era montar uma sociogênese, ou seja, não olhar apenas para a imagem e identificar seu sentido simbólico e social, mas entender o processo para aquele significado. “Eu digo que fiz um bordado que necessita uma série de entradas, o que eu faço é uma sociologia da imagem”, cita Isabelle Anchieta, que rodou o mundo atrás de livros antigos originais para basear suas descobertas.

A pesquisadora cita três exemplos de construção da imagem da mulher: as bruxas, as prostitutas e as celebridades de Hollywood. As bruxas eram diabolizadas e entravam em uma luta por reconhecimento contra a Igreja Católica. No entanto, eram mulheres comuns fora da ordem social, que praticavam a medicina nas aldeias pobres e afirmavam-se como bruxas em processos inquisitoriais. As prostitutas, que eram postas à margem da sociedade, conseguiam retomar seu lugar por meio das cortesãs de luxo italianas, que muitas vezes possuíam mais poder e liberdade que os homens, revertendo seu lugar. Por fim, a socióloga fala das mulheres de Hollywood, que legitimaram a transgressão feminina e começam a apresentar o processo de crescente individualização da mulher.

Quanto à representação da mulher comum contemporânea, começou a aparecer apenas nos séculos 18 e 19, geralmente com mulheres burguesas confinadas ao espaço do lar e dedicadas a assuntos domésticos. Essa mulher era também mostrada com melancolia.

O livro pode ser adquirido na Edusp ou no site de Isabelle Anchieta.

Ouça a entrevista no player acima.


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