Série discute origens e perspectivas da democracia

“USP Analisa” traz historiador e docente da FDRP-USP para debater o tema; primeiro programa aborda o surgimento desse sistema político

 06/02/2019 - Publicado há 3 anos  Atualizado: 15/02/2019 as 15:16
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Democracia foi uma palavra bastante presente no noticiário brasileiro em 2018, tanto em virtude da realização de eleições quanto das comemorações dos 30 anos da Constituição de 1988, e até mesmo pelo questionamento de muitas pessoas sobre a eficácia desse sistema político. Para abrir a temporada de programas de 2019, o USP Analisa traz esse tema para discussão em uma série especial de três programas com o professor, historiador e ex-vereador de Ribeirão Preto, Gilberto Abreu, e o docente da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, Nuno Manuel Morgadinho dos Santos Coelho.

A série vai abordar as origens da democracia, seu desenvolvimento no Brasil e seu reflexo na atualidade. No primeiro programa, os professores falam sobre o surgimento desse sistema político em Atenas, na Grécia Antiga, e suas relações com o conceito de república, instituído em Roma.

“Quando olhamos para o passado, podemos pensar: Atenas não era uma cidade democrática porque as mulheres não participavam [das decisões], porque os estrangeiros não participavam, porque havia escravos. Mas nós estamos falando de uma civilização antiga, que, comparada a todas as suas contemporâneas, é absolutamente diferente, tinha uma singularidade da qual eles, gregos, em especial os atenienses, se orgulhavam. Era uma cidade formada por cidadãos que precisavam preencher pura e simplesmente a condição de cidadania para poder participar igualmente de todos os cargos políticos”, lembra Morgadinho.

Considerando a relação entre a democracia e a república, Abreu destaca que são sistemas complementares, já que o conceito de república foi criado pelos romanos a partir dos princípios da isonomia e da igualdade. “A ideia de república vai permear toda a história, sobretudo do Ocidente, e vai criar inclusive uma grande discussão posterior, que é se a república, por extensão à democracia, poderia ser estabelecida em territórios muito grandes. Isso só vai acontecer no século 18, quando, num gesto também ousado, os americanos vão criar a primeira república num território muito extenso. Todos os exemplos anteriores de existência republicana só foram possíveis em cidades, em cidades-estado, que não abrangiam um território muito grande. Porque o essencial na democracia é a participação do cidadão. E a grande questão era: em um território muito extenso, a participação será efetiva de todos?”, diz o historiador.

O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.


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