São Paulo adere a plano intersetorial de combate ao bullying

Maria Fernanda Peres, autora de estudo inédito, diz que é necessária a participação de vários setores para enfrentar o problema

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Estudo pioneiro da Faculdade de Medicina da USP, derivado de projetos semelhantes em Zurique, na Suíça, e Montevidéu, no Uruguai, traz dados sobre a violência, o bullying e sua repercussão na saúde de adolescentes. Maria Fernanda Tourinho Peres, professora do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, explica ao Jornal da USP no Ar que o objetivo é verificar os dois lados do envolvimento com o bullying, quem sofre e quem causa.

Cerca de 30% dos adolescentes estão inseridos em situações de bullying, sejam eles vítimas, perpetradores ou ambos. A pesquisadora explica que o bullying é um tipo de violência específica, pois ocorre dentro de relações preestabelecidas, principalmente entre colegas de escola. “Sustentam-se no que chamamos de desequilíbrio de poder”, explica a pesquisadora, ou seja, pessoas com características que as colocam em situações de maior vulnerabilidade são os principais alvos para essa violência persistente e repetitiva.

O bullying pode envolver violência física, verbal, social ou sexual, que afeta principalmente as meninas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o problema como questão de saúde pública, pois afeta a qualidade de vida, gera custos para o sistema de saúde, compromete o desenvolvimento infantil, entre outros malefícios.

Quando considerados dados de outros países e relacionados com o Brasil, facilita-se a implementação de programas de intervenções com o objetivo de prevenir situações que incitem o bullying. Em 2016, foi publicado pela OMS a metodologia Inspire, um conjunto de sete estratégias recomendadas, por sua eficácia, para a prevenção da violência contra crianças e adolescentes. Um dos pontos fundamentais é partir do pressuposto que essa é uma atividade intersetorial, não apenas da escola, setor de saúde, segurança pública, cultura ou lazer, mas de todos juntos trabalhando para desenvolver um plano de ação e resposta.

Em 2019, a cidade de São Paulo assinou uma carta de adesão de parceria global para acabar com a violência contra a criança. Sob a coordenação da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, foi criado, por Bruno Covas, um comitê com o objetivo de desenvolver esse plano de resposta a longo prazo. Com isso, São Paulo se tornou a primeira cidade a atingir tal feito.


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