Saída da UE sem acordo é mais provável após renúncia de Theresa May

Especialista aponta que, caso o Brexit ocorra sem acordo, negociações futuras serão necessárias

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A primeira-ministra da Grã-Bretanha, Theresa May – Foto: Fotos Públicas

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A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, anunciou na manhã desta sexta-feira que renunciará ao governo britânico no dia 7 de junho. O anúncio foi feito depois de uma reunião com o presidente do seu grupo parlamentar, Graham Brady, para determinar seu futuro político. Na mesma data, começará o processo para escolher o sucessor de May como líder do Partido Conservador e chefe do governo britânico. Ela ainda permanecerá como premiê interina até a escolha do novo líder. A premiê, que chorou ao final de seu discurso, pediu ao seu sucessor à frente do Partido Conservador e do governo para que tente encontrar um consenso no Parlamento para deixar o bloco. Ela ainda ressaltou o fato de ser a segunda primeira-ministra mulher na história do Reino Unido: “Certamente não serei a última”. Um dos possíveis sucessores é Boris Johnson, ex-prefeito de Londres, que confirmou na quinta-feira que seria candidato ao posto de primeiro-ministro e, segundo as casas de apostas, é o favorito. Ele foi um dos artífices da vitória do Brexit no referendo de 2016.

Para o professor Kai Enno Lehmann, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, há uma série de fatores que justificam a renúncia de May, mas, no momento, o principal foi o gabinete da própria primeira-ministra ter-se voltado contra ela. “Uma coisa é o Partido Parlamentar se voltar contra você, mas dessa vez foram os membros do governo”, discorre Lehmann, e continua: “Ela teria que renunciar, senão o partido [conservador] mudaria as regras para tirá-la do cargo. Não houve opção. Era renunciar ou ser removida.”

Agora, o Partido Conservador convocará eleições internas. Primeiro, entre os deputados; depois, os dois candidatos mais bem votados pelos parlamentares vão seguir para os membros do partido. “Os integrantes do Partido Conservador são muito mais anti-europeus que o Partido Parlamentar”, esclarece o professor. Isso significa que o candidato que será eleito pelos membros do Partido Conservador será o mais favorável ao Brexit. “O favorito é Boris Johnson, ex-secretário de Relações Exteriores do Reino Unido”, aponta Lehmann.

Boris Johnson foi prefeito de Londres – uma cidade bastante liberal. O professor Lehmann explica que ele sabe se vender, falará aquilo que o Partido Conservador quer ouvir. “Ele é flexível e quer ser primeiro-ministro. Como isso vai funcionar, caso seja eleito, já é outra história.” Apenas uma coisa é certa: as chances de o Reino Unido sair da União Europeia (UE) sem um acordo aumentaram consideravelmente.

No entanto, caso ocorra uma saída sem acordo, os problemas continuariam os mesmos. A UE já estabeleceu suas condições: direitos do cidadão europeu, dinheiro e a fronteira na Irlanda. Lehmann não enxerga possibilidade dessas exigências serem alteradas. Independente de quem seja eleito primeiro-ministro do Reino Unido, uma saída sem acordo o fará voltar para Bruxelas, a fim de negociar com a UE. Com isso, “voltaremos ao mesmo ponto onde estamos agora”, conclui Lehmann.

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