Rever a história é uma visão doutrinária e ideológica, diz especialista

É falso dizer que o movimento de 1964 não foi um golpe. Discussões sérias não podem ficar no campo da mentira e da falsidade

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Na edição de hoje, o professor Renato Janine Ribeiro comenta a proposta do Ministério da Educação (MEC) de reformular e rever os livros didáticos de história, revendo o golpe militar de 1964 como um movimento democrático. “Esse governo colocou na direção do MEC pessoas extremamente vinculadas com a visão doutrinária e ideológica da política atual. A ideia de reescrever a história para apagar o caráter golpista do movimento militar faz parte dessa visão”, afirma o professor.

Janine ressalta que não tem sentido discutir se o movimento de 1964 foi golpe ou não. “Foi golpe sim […]. Durante 20 anos não elegemos presidente, durante 18 anos não elegemos governador, as cidades importantes foram perdendo o direito de eleger prefeito, além da tortura, censura e tudo o mais. Dizer que um movimento que acaba com os direitos humanos não é um movimento golpista ditatorial entra no campo da falsidade. Temos que ter a discussão das divergências culturais, científicas e de conhecimento, o que não quer dizer que entrem no patamar de discussões sérias e importantes a mentira e a falsidade”, destaca.

Ouça no link acima a íntegra da coluna Ética e Política.

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