Retomada econômica depende de dinheiro em circulação e da população vacinada, diz especialista

Roy Martelanc comenta a retomada econômica brasileira e a estimativa global de 6% do Fundo Monetário Internacional para este ano

 02/08/2021 - Publicado há 4 meses
Martelanc avalia que a retomada econômica já é uma realidade em alguns setores, mas que a redução de renda é significativa para a população, que passa a consumir o básico – Foto: Instituto Butantã/Divulgação – Fotomontagem / Jornal a USP

 

No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou a estimativa de 6% no crescimento global da economia para 2021. A projeção é a mesma de abril deste ano. Segundo a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, a recuperação econômica e o fim da pandemia estão longe de se resolver em 2022, a menos que a vacinação contra a covid-19 acelere. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1° Edição, o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, Roy Martelanc, revela que alguns setores ainda enfrentam muitas dificuldade econômicas enquanto outros estão “felizes” economicamente.

“O dinheiro que não é gasto com uma coisa é gasto com outra”, explica Martelanc ao citar o crescimento dos setores de material de construção no começo da pandemia. Ainda nessa explicação, o

professor também ressalta a emissão de 12% do PIB pelo governo. “Se você dá R$ 600 na mão de quem não tem nenhuma fonte de renda e está na base do consumo, ele gasta. Esse dinheiro se acumula em quem tem mais dinheiro”, ressalta. Em resumo da análise, Martelanc avalia que a retomada econômica já é uma realidade em alguns setores, mas que a redução de renda é significativa para a população, que passa a consumir o básico.

Para o professor, a retomada depende do dinheiro que está em circulação e do hábito de consumo da população quando estiver devidamente vacinada. “Supostamente as pessoas vão perder o medo de ir para a rua e haverá o incentivo ao consumo”, explica. Então, de acordo com Martelanc, o retorno do consumo efetivo dos setores de turismo, eventos, restaurantes, por exemplo, só será possível a partir da vacinação. Para ele, a comparação do ritmo de vacinação do Brasil com países de primeiro mundo não é efetiva porque o País ficará naturalmente atrás deles. “Então, tem que comparar o Brasil com países de renda média. E quando essa comparação é feita, percebe-se que não estamos atrasados, pelo menos em termos de primeira vacinação. O País até que está adiantado em relação ao nível de renda que tem”, destaca.

Por fim, Martelanc destaca que a questão principal não é a média do crescimento econômico, mas sim a distribuição dele pela geografia do país e pelos setores. “É por isso que tem, ao mesmo tempo, poucas pessoas que estão felizes e ganhando dinheiro e muitas pessoas  que não estão.”


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. No ar, pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 10h45, 14h, 15h e às 16h45. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 

 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.