Refugiados sírios têm apoio de comunidade árabe em Curitiba

Acolhimento praticado na capital paranaense é exitoso, mas não retrata a realidade brasileira

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As estratégias de sobrevivência e integração de refugiados sírios em Curitiba foram abordadas em um estudo na USP. De acordo com o relatório da Secretaria Nacional de Justiça de 2018, 5,5 milhões de refugiados no mundo são sírios. O Brasil, em 2017, registrou um total de 10.145 refugiados reconhecidos, sendo 39% sírios, apresentando-se como a maior nacionalidade reconhecida do País. Entre os entrevistados, 50% declaram que se viram obrigados a sair do seu país e das suas casas com urgência, assim como tantos outros milhares de homens, mulheres e crianças, em busca de um abrigo que lhes devolvesse a segurança. O Jornal da USP no Ar conversou com Mamed Mourad, mestre em Estudos Judaicos e Árabes pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sobre a vida desses refugiados na capital paranaense.

O aumento das atividades comerciais praticadas pela população árabe, na cidade de Curitiba, chamou a atenção do pesquisador Mamed Mourad, de ascendência libanesa. O fenômeno foi percebido em 2011, quando a cidade recebeu, aproximadamente, 35 pedidos de refúgio. Em 2014, o número saltou para 80. Mourad explica que a guerra na Síria justifica esse cenário.

Refugiados sírios recebem atendimento médico – Foto: Rovena Roso/Agência Brasil

O Paraná recebeu um grande fluxo de imigrantes árabes no final do século 19, vindos, majoritariamente, da Síria e do Líbano. Esse fato culminou na consolidação de uma forte comunidade árabe no Estado, sobretudo em Curitiba. Hoje, essa comunidade presta apoio aos refugiados que buscam na capital paranaense uma oportunidade de recomeço. Durante sua pesquisa, Mourad realizou uma série de entrevistas com esses refugiados. Segundo o pesquisador, o perfil médio do sírio que chega a Curitiba é de jovens, por volta dos 30 anos, com escolaridade alta, alguns, inclusive, com curso de pós-graduação.

O refugiado sírio é um agente relevante na microeconomia curitibana, pontua Mourad. “Eles passaram a gerar empregos e alugar pontos”, conta o pesquisador sobre o movimento de abertura de novos restaurante de culinária árabe. Outros passaram a integrar a frota de aplicativos de transporte, como o Uber. Por fim, Mourad relata que a comunidade árabe passou a ajudar refugiados de outras origens, mas que a situação em Curitiba não representa a realidade brasileira.

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