Redução da Selic pode explicar alta do Ibovespa, diz especialista

Segundo Marcelo Botelho da Costa Moraes, com essa redução, boa parte desse mercado buscou novas alternativas de investimento para conseguir uma rentabilidade maior e por isso migrou para a Bolsa de Valores

 10/02/2021 - Publicado há 7 meses
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No ano de 2020, o número de pessoas físicas que investiram na bolsa mais que dobrou – Foto: Galeria de Léo Pinheiro via Wikimedia Commons/CC BY-SA 3.0

No início de 2021, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, atingiu seu recorde histórico ao rondar os 125 mil pontos. Se consideradas as perdas da pandemia, que fez o índice descer à casa dos 63 mil pontos em maio de 2020, a retomada impressiona. O professor Marcelo Botelho da Costa Moraes, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, relembra que “o mercado financeiro trabalha com expectativas”, portanto, “quando há projeção de recuperação econômica ele já começa a se aquecer”. Mas — ainda de acordo com o especialista — outro fator pode explicar a rápida retomada do índice.

“Tem um fator interno, que é a queda da taxa Selic, que remunera os investimentos em títulos públicos. Com essa redução, boa parte desse mercado buscou novas alternativas de investimento para conseguir uma rentabilidade maior. Por isso, migraram para a Bolsa de Valores. O segundo é externo, em resposta à covid”.

Investimento para iniciantes

A pandemia ainda não acabou, assim como seus impactos econômicos. Dadas as diversas incertezas que cercam o contexto político do Brasil, a rápida recuperação se torna ainda mais impressionante. Todavia, o professor explica que “a queda na arrecadação, a conta do auxílio emergencial e outros fatores geram um risco sistêmico, que atinge todas as possibilidades de investimento no Brasil, por isso não interferem no crescimento dos investimentos na Bolsa”.

Apesar de a recuperação do Ibovespa ser uma notícia boa para a economia brasileira em geral, esse tipo de movimento levanta questionamentos sobre se há também melhora na distribuição dos recursos ou se os resultados positivos representam apenas mais concentração de capital nas mãos de poucos. A boa notícia é que, no ano de 2020, o número de pessoas físicas que investem na Bolsa mais que dobrou.


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