Recusa familiar para doação de órgãos chega a 43%

Débora Terrabuio salienta que, apesar do momento da morte ser difícil para os familiares, a doação de órgãos recomeça belas histórias

Na próxima sexta-feira (27), Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, o Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP promoverá campanha para conscientizar e incentivar a população sobre a importância da doação de órgãos para salvar vidas. No Brasil, o índice de recusa familiar na hora de doar os órgãos dos pacientes já falecidos chega a 43 %, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), de 2018. Em São Paulo, o percentual é de 36%.

Uma das principais demandas é por transplante de fígado. As doenças hepáticas são silenciosas. A maioria dos pacientes descobre a doença em estágio avançado, o que diminui as chances de cura e aumenta a necessidade de um transplante. “Os pacientes são alocados por ordem de gravidade, no caso do fígado”, explicou Débora Terrabuio, hepatologista clínica do HC, ao Jornal da USP no Ar.

No caso do transplante de fígado, a compatibilidade é checada por meio de exame de tipagem sanguínea, de acordo com a médica. Já no transplante de rim, é necessário um mapeamento mais rigoroso dos anticorpos. “Cada órgão tem uma triagem diferente”, aponta. Estão aptos a doar,  pessoas acometidas de morte encefálica. “Todas podem doar, a princípio. Idosos, diagnosticados com diabete ou hipertensão. Basta a autorização da família”, destaca.

Houve uma iniciativa governamental de registrar a disponibilidade de doação junto ao documento de identidade. Débora ressalta que, sem a autorização dos familiares, essa boa vontade de nada serve. “É muito complicado ter que doar o órgão de alguém que faleceu”, comenta. Por isso, a conversa entre os profissionais da saúde e a família deve ser muito cuidadosa. “Nunca pode ser o médico que atendeu o paciente”, alerta.

A médica lamenta a desinformação a respeito do assunto, e salienta que a doação muda a vida de muitas pessoas. “Trabalho com transplante há 15 anos e já vi várias histórias bonitas”, se emociona. Débora lembra que a cirurgia não é o final de tudo. “O tratamento tem que continuar, mas a qualidade de vida do paciente é muito melhor”, conta.

O evento acontecerá, das 9h às 15h, em frente ao Prédio do Ambulatórios do HC, na Av. Enéas de Carvalho Aguiar, 255.


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