Reabilitação de disfunções orofaciais rende prêmio ao Centrinho de Bauru

Os professores Carlos Ferreira dos Santos e Giedre Berretin comentam a premiação envolvendo o trabalho interdisciplinar voltado ao avanço medicinal da terapia miofuncional, realizado no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho), em Bauru

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, especialistas conversam sobre a premiação recebida pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais – mais conhecido como Centrinho – em função do trabalho interdisciplinar voltado ao avanço medicinal da terapia miofuncional. O Prêmio Centros de Luz foi concedido pela Academia de Ciências Miofuncionais Aplicadas Academy of Applied Myofunctional Sciences dos Estados Unidos, no último dia 22, durante o 5º Congresso da AAMS.

O professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC e diretor da Faculdade de Odontologia da USP de Bauru, explica que as terapias miofuncionais têm como objetivo a reabilitação das disfunções orofaciais, relacionadas à respiração, mastigação, deglutição e à fala, problemas advindos de malformações craniofaciais ou neurológicos, tanto adquiridos ao longo da vida quanto desde o nascimento. Para realizar as operações de correção das deformidades craniofaciais é utilizada uma equipe interdisciplinar para garantir que o paciente atinja o desenvolvimento pleno das funções antes prejudicadas. Vários pacientes precisam “aprender a respirar bem, a mastigar bem, a engolir bem, a falar bem, então, para isso,  precisamos de uma equipe com vários profissionais para que possamos melhorar  a qualidade de vida dessa pessoa, então participam médicos, cirurgiões dentistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos e nutricionistas”.

A professora Giedre Berretin, do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia da USP de Bauru, informa que a premiação coroa o trabalho iniciado por ela durante a graduação com pesquisas voltadas a pacientes que apresentam alterações das estruturas da face: “Foi o reconhecimento dos esforços que foram somados a partir dos trabalhos que desenvolvi voltados para a avaliação dos distúrbios miofuncionais orofaciais, que impactam na comunicação, principalmente na fala, na respiração e na alimentação”, e complementa: “Hoje temos protocolos que foram desenvolvidos no Brasil e traduzidos para o inglês num trabalho de pós-graduação orientado pelo professor Carlos e eu, possibilitando que esse diagnóstico assertivo possa ser realizado não apenas no nosso País, mas em todo o mundo”. 

Giedre compartilha que não só o diagnóstico das disfunções orofaciais é fundamental, mas também o tratamento e a reabilitação: “Temos desenvolvido, ao longo desses anos, propostas de intervenção, ensaios clínicos, pesquisas clínicas que são pioneiras e têm demonstrado a eficácia da atuação da miofuncional orofacial para que o indivíduo, após a correção por procedimento médico, cirúrgico e odontológico, possa resgatar o funcionamento harmônico e adequado da fala, da comunicação, da alimentação e até mesmo da estética facial, porque a forma como desempenhamos essas funções impacta também na estética da nossa face”. 

Segundo o superintendente Ferreira dos Santos, o HRAC possui cerca de 120 mil pessoas matriculadas e 50 mil pacientes ativos. “Esse é um número que realmente impressiona o mundo por ser de uma instituição pública e dar um tratamento gratuito, com verbas do SUS, da USP e de outros convênios. Dentre esses paciente, alguns deles têm hábitos que podem implicar problemas e as terapias miofuncionais vão ser muito importantes. Por exemplo, pacientes que têm o hábito de respirar pela boca, pacientes que mastigam só de um lado e outros tipos de problema, como inserção do frênulo lingual.”

A professora Giedre foi pioneira no desenvolvimento dos protocolos para a realização do teste da língua em bebês, que visa a identificar o frênulo lingual, popularmente conhecido como língua presa. Atualmente, a testagem em bebês é regulamentada pela Lei nº 13.002, de 20 de junho de 2014, o que eleva o Brasil ao título de primeiro país do mundo a ter obrigatoriedade da avaliação do frênulo lingual em recém-nascidos. Quando há alteração, o bebê tem dificuldade para sugar, cansa por não conseguir manter a língua elevada, comprimindo o mamilo para extrair o leite, acaba tendo poucas sucções e muitas pausas. Além disso, o frênulo lingual não permite a elevação do músculo e, com isso, a língua não ocupa a posição correta para pressionar o palato para que o céu da boca se expanda: “Temos estudos que mostram essa relação. Hoje nós temos um protocolo de avaliação do frênulo de língua em bebês, a triagem para essa avaliação, que também foram trabalhos desenvolvidos no nosso programa de pós-graduação da FOB; esse protocolo já foi traduzido para muitas  línguas e tem sido adotado em diferentes países”, finaliza a professora.

Ouça entrevista na íntegra pelo player acima.


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