Reabertura de parques é positiva e deve ajudar a população a superar o confinamento

Para Marcia Furquim de Almeida, reabertura de parques acarreta menos perigos e mais benefícios que a liberação de outros estabelecimentos. Experiência internacional reitera.

A reabertura dos parques na cidade de São Paulo, realizada no dia 6 de julho, foi uma medida positiva, de acordo com a  professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e editora científica da Revista Brasileira de Epidemiologia, Marcia Furquim de Almeida.”Desde de que haja controle e sejam adotados os protocolos, não haverá problemas, além de que pode facilitar o período confinado para as pessoas”, aponta a especialista.

Seguindo o Plano São Paulo, que dita a flexibilização do isolamento no Estado, 70 dos 108 parques municipais puderam voltar funcionar com restrições. A capacidade máxima de ocupação permitida nessa fase de abertura é de 40%, portanto, há funcionários da Prefeitura nos portões monitorando entrada e saída de pessoas. Além disso, para visitar essas áreas é necessário utilizar máscara e respeitar o distanciamento social, ou seja, apesar de permitir atividades físicas como caminhada, corrida, trilha e ciclismo, o protocolo ainda não disponibiliza espaços para prática de esportes coletivos. 

“Os parques são importantes pois as pessoas utilizam para, além do lazer, fazer atividade física. E se a gente pensar em termos de risco, como é uma atividade ao ar livre, é menos preocupante do que ir em shoppings ou lojas, que são fechadas. Muito menos preocupante do que restaurantes”, comenta Marcia.

Assim como citado por Marcia, a experiência internacional demonstra que, se seguidos os protocolos, a abertura dos parques acarreta menos riscos que a liberação de outros tipos de estabelecimento. Por sinal, parte dos países que estão a frente do Brasil no combate à crise foram mais flexíveis em relação à liberação dessas áreas. Enquanto em São Paulo os parques foram reabertos no mesmo dia em que foram liberadas as academias e uma semana após a liberação de bares e restaurantes, a Itália — primeiro país europeu a encarar a crise — reabriu os parques em 4 de maio, 2 semanas antes da liberação de bares e restaurantes, que ocorreu em 18 de maio, e 3 semanas antes da liberação das academias, ocorrida em 25 de maio.

O exercício físico, especialmente ao ar livre, é profundamente indicado por profissionais da saúde como fonte de vitalidade e bem estar, tanto físico quanto psicológico; o que pode ajudar as pessoas a superar o momento de isolamento. Mas, o horário de funcionamento proposto pelo protocolo, segundo a professora, pode ser um impasse nesse processo. Inicialmente os parques estão abertos somente durante a semana, das 6 da manhã às 4 da tarde, com exceção dos parques Ibirapuera e do Carmo, que vem funcionando 6 da manhã às 4 da tarde.

“É complicado pois uma parte da população já voltou a trabalhar. [O horário reduzido] vai impedir que as pessoas façam exercício antes e depois do trabalho. Se houvesse um controle de entrada, poderia evitar isso, e as pessoas teriam um lazer de final de semana mais saudável do que restaurantes e shoppings.

O protocolo que trata dessa reabertura também aborda os parques temáticos. Segundo o texto, eles serão liberados somente após a cidade completar 28 dias na fase verde do Plano São Paulo. Os parques temáticos passaram a ser acompanhados de perto pela mídia após, no último dia 12, a Flórida contabilizar um novo recorde de casos confirmados de Covid-19 em um só dia, isso na mesma data em que foi reaberto o Disney World. De acordo com Marcia, o governo acerta ao tratar essas áreas com maior precaução: “Ali [nos parques temáticos] você deve de ter um controle dos equipamentos, de higienização, até porque alguns são locais fechados”.

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