Questão racial é uma das grandes contradições da agenda do País

Tema é um dos destaques do canal no YouTube, da historiadora Lilia Schwarcz, para aproximar academia e sociedade

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Estreou recentemente um espaço no YouTube para falar sobre história, cultura, política e atualidade. Canal da Lili tem conteúdo semanal abordando assuntos diversos com perspectiva histórica a partir do universo de estudo e pesquisa da antropóloga e historiadora da USP, professora Lilia Schwarcz. Os vídeos contemplam desde questões contemporâneas até a análise de pinturas e entrevistas que oferecem contexto para análise da nossa sociedade. Ela é autora de importantes obras, como O espetáculo das raças, As barbas do imperador, Brasil: uma biografia e Lima Barreto, triste visionário.

Lilia é professora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O Jornal da USP No Ar conversou com a escritora sobre esse novo meio de ensinar e refletir fatos do passado. “A ideia é sair. A gente tem um mundo acadêmico muito rico, mas estamos vivendo um momento que precisa de intelectuais públicos que atuem na Universidade e também tenham um espaço para falar com a população de forma mais ampla. A história e a antropologia são disciplinas críticas que interrogam o passado e, dessa forma, interpelam o presente.”

Em um dos vídeos, a professora Lilia aborda o tema racial para ser analisado. Ao longo de sua carreira acadêmica, ela buscou trabalhar a mesma temática. “A questão racial é uma das grandes contradições da nossa agenda passada e da nossa agenda presente. Não é possível dizer que a nossa grande desigualdade social é só herança do passado, senão vamos ter uma atitude passiva de dizer que é culpa do passado. O fato do Brasil ser um dos últimos países do Ocidente a abolir a escravidão, de ter recebido 4,7% dos 12 milhões de africanos e africanas que tiveram que sair do seu continente, de ter tido  escravizados no território inteiro, faz com que esse tema seja inadiável na nossa agenda. Não há democracia com racismo”, diz a historiadora e antropóloga da FFLCH.

Lilia, que participou do programa Era uma vez uma história, da TV Bandeirantes, comenta a linguagem com o público mais jovem, um recurso interessante para despertar o interesse deles a conhecerem e pensarem mais sobre a história. Exemplo disso foi o livro em quadrinhos, que ela escreveu, com fatos do passado. Agora, o canal no YouTube é mais um meio de passar o aprendizado corretamente. “Esse espaço tem sido muito tomado por programas que contam uma história que eu particularmente não acredito. Exaltam colonização, afirmam que não foram os portugueses que escravizaram os africanos, que foram eles mesmos que se escravizaram… É um desserviço à história, pois não são pautados em documentos. Então eu tive a oportunidade e não recusei.”

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