Queda na produção industrial em 0,8% é resultado de eleição turbulenta

Especialista diz que Reforma da Previdência e parceria com países influentes podem melhorar economia

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A produção industrial brasileira caiu 0,8% em janeiro em relação a dezembro de 2018, com queda em 18 das 26 atividades pesquisadas. É o segundo ano de resultado negativo para o mês. Em janeiro de 2018 havia recuado 1,9%. Em dezembro do ano passado, a indústria havia avançado 0,2%. Os números com ajuste sazonal foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão chama  atenção para o fato de que o crescimento vem perdendo ritmo desde julho de 2018. Mesmo havendo um aumento na confiança dos empresários, esse aumento é mais em relação ao futuro a longo prazo. Os investimentos têm sido adiados. O grupo de bens de capital é diretamente associado aos investimentos no setor e já vem nesse movimento de queda nos últimos meses. Para esclarecer o assunto, o Jornal da USP no Ar conversou com o professor Roy Martelanc, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

A economia e a indústria estão extremamente relacionadas, e culpar apenas uma pela queda da produção é um erro: “Uma coisa é a outra. Com exceção do que é investido, o que é produzido é consumido”, explica Martelanc. Para ele, o resultado foi consequência de uma eleição turbulenta no segundo semestre, que teve “uma competição entre duas linhas bastante diferentes, diria até opostas”. Tanto o consumidor de maior poder aquisitivo quanto o investidor esperam o cenário ficar mais nítido para tomar decisões, e isso só aconteceu após o segundo turno. “Se for de risco ou de problemas, você não investe e adia uma parte do consumo.”

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Agora que a questão eleitoral foi resolvida, o consumo e o investimento pessoal já estão sendo retomados, mas ainda de forma cuidadosa. “Em janeiro ainda tínhamos um governo que estava explicando a que veio, e este ainda tem que provar que tem essa capacidade toda de fazer o País retomar.”

O IBGE aponta que houve uma queda em 18 das 26 atividades pesquisadas. De acordo com Martelanc, “a indústria sempre tem problemas internos, mas quando a queda é generalizada e afeta mais da metade do setor, o motivo está relacionado a um fator sistêmico – o nosso é a própria economia e a política”.

“A Reforma da Previdência é o sinal que os investidores e consumidores de bens mais caros estão esperando para poderem voltar com vontade, com força para fazerem os investimentos”, afirma Martelanc, que acredita que a reforma tem o lado material de lidar com as contas do governo, e também um corpo simbólico no sentido em que demonstra o futuro e a seriedade do País. “É fundamental termos as contas equilibradas. Um governo desequilibrado faz bobagens imensas, como emitir dinheiro ou aumentar impostos – nesse estágio de desenvolvimento, o imposto já está alto demais -, e a economia acaba sendo pior.”

Quanto à aproximação do Brasil com os Estados Unidos, o professor acredita que “Bolsonaro está bem posicionado para fazer essa aliança, porque tem alinhamento ideológico e o Brasil tem necessidade de parceiros que estejam fazendo bons negócios”. Ele avalia a decisão como um resultado da queda na relevância global da China. Desde 2008 a economia da China está sofrendo um pouco: apesar de continuar crescendo, está crescendo a ritmo menor. “Ela precisa mudar de fase, ou seja, mudar estruturas internas e fazer parcerias internacionais. O Brasil, sem ignorar a China, está fortalecendo laços com o grande jogador, os Estados Unidos.”

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