Quanto mais partidos políticos, mais forte a democracia

Para professor, o número de legendas não é o problema do País, e sim sua tradição autocrática

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Uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, concluiu que apenas dois partidos políticos seriam suficientes para representar a sociedade brasileira no Congresso Nacional. Para Antonio Carlos Mazzeo, professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, a análise é equivocada por ignorar a heterogeneidade ideológica, o dinamismo e as contradições da população, que não cabem em uma limitada divisão entre centro-esquerda e centro-direita.    

Para Mazzeo, quanto mais partidos políticos, mais projetos de nação são representados e mais forte é a democracia. O problema no Brasil, segundo ele, encontra-se na sua curta vida democrática e larga tradição autocrática e golpista. A história brasileira não é marcada pela estruturação de partidos ideológicos e programáticos, e sim pela política como “balcão de negócios”. A solução, então, não é restringir as legendas, e sim fortalecê-las, conclui o professor.

Mazzeo vê com bons olhos a possibilidade de reformas e a adoção do parlamentarismo como sistema político. Para isso, seria necessário um debate sincero com a população e uma ampla democratização da sociedade. Os sinais dados pelo País nesse sentido, porém, não são bons, segundo avaliação do professor. Ele lembra das eleições de 2018 que, ao que tudo indica, não contarão com a presença do candidato com mais intenções de voto, Lula, condenado em um processo jurídico bastante questionável, conclui.

Jornal da USP, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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