Próxima viagem à Lua prevê construção de base sustentável

Foto: Nasa/Goddard Space Flight Center/Domínio Público via Wikimedia

 

O projeto Artemis, programa espacial da Nasa que pretende enviar a primeira mulher à Lua em 2024, terá uma série de desafios e barreiras. Essas dificuldades já são esperadas pelos cientistas, mas ainda resultam em complicações nos objetivos da missão. Além do envio de humanos, a agência espacial norte-americana pretende criar uma base sustentável no nosso satélite natural. Essa infraestrutura garantiria a permanência dos astronautas na Lua por um tempo mais longo. A base traria também outros benefícios, como uma maior facilidade no envio dos astronautas a Marte, o próximo alvo da missão.

Missões espaciais, no geral, são muito caras. O projeto Artemis, por exemplo, é estimado em US$ 35 bilhões, cerca de R$ 200 bilhões. O professor Roberto Dias da Costa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, comenta que o fator econômico é um dos complicadores principais para esse tipo de missão. “A ciência espacial é uma das áreas de ciência aplicada mais caras que existem, porque os equipamentos têm que ser testados à exaustão, eles têm que ser blindados das condições físicas extremas do espaço, de frio, de calor, de radiação. Tudo isso é muito complicado e, portanto, tudo muito caro.”

A primeira vez que pisamos no nosso satélite natural foi em 1969, com a missão Apollo 11. Desde então nosso conhecimento e tecnologia estão mais avançados. Um bom exemplo é a estrutura das naves tripuladas: antes, eram necessários diversos botões e mecanismos que ocupavam toda a nave, hoje em dia, as sondas contam com poucas telas de LCD que já cumprem todas as funções necessárias.

Além da parte do transporte, os cientistas também precisam se atentar na parte logística da missão. Para que o programa seja um sucesso, é necessário que a permanência dos astronautas na Lua aconteça da melhor maneira possível. Para isso, os aspectos psicológicos e fisiológicos dos astronautas são uma preocupação central, como diz Dias da Costa: “Os humanos têm o péssimo hábito de comer, respirar e de fazer necessidade fisiológicas todos os dias. Comer e respirar, então, não tem como parar. Isso implica em uma logística complicada. Você tem que ter oxigênio, alimento e energia. Tem como fazer isso na Lua? Tem sim”.

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