Projeto busca novas formas de prevenção de infecção pelo HIV

Iniciado em 2016, estudo que abrange diversos países precisa de mais voluntários no Brasil

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Um ensaio clínico de longa duração para a prevenção do HIV está sendo realizado em diversos países, dentre eles Argentina, Peru, Estados Unidos, África do Sul, Índia, Tailândia, Vietnã e inclusive o Brasil. O público-alvo são homens maiores de 18 anos que fazem sexo com homens, mulheres transexuais e travestis em risco de infecção pelo HIV. Para falar sobre o assunto, o Jornal da USP no Ar conversou com Ricardo Vasconcellos, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do Projeto PrEP Brasil (Profilaxia Pré-Exposição).

De acordo com ele, a primeira urgência que surgiu quando houve a descoberta do vírus HIV foi a de tratar os pacientes que já tinham desenvolvido a doença, o que já foi resolvido. “As pessoas que acessam o tratamento hoje em dia não morrem mais de Aids”, destaca. Atualmente, os esforços com relação à epidemia da doença estão em resolver a questão da prevenção, já que a cura ainda é algo distante, enquanto o número de novos casos de pessoas infectadas pelo vírus no mundo ainda é alto.

A forma de prevenção mais difundida hoje é a chamada PrEP, Profilaxia Pré-Exposição. Segundo Vasconcellos, ela consiste no uso de um medicamento antirretroviral, tomado por pessoas que ainda não vivem com o HIV, mas que estão sujeitas a ter contato com o vírus. Está inclusive disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). “A pessoa toma um comprimido por dia e dessa maneira reduz a níveis insignificantes o seu risco de infecção por HIV”, explica. Contudo, o medicamento deve ser tomado diariamente, caso contrário a pessoa estará sujeita à infecção. Esse é o objetivo da pesquisa, conta o infectologista, estudar novas formas de prevenção, a fim de que mais pessoas possam aderir ao tratamento.

A alternativa que está sendo estudada atualmente é a criação de uma medicação similar à PrEP, porém injetável, e portanto de longa duração, podendo ser aplicada a cada dois meses. Os esforços estão sendo feitos no sentido de testar a eficiência desse novo medicamento. Para isso, o projeto, que começou em 2016, está presente em sete países mais o Brasil. O objetivo é chegar a 4.500 participantes ao redor do mundo. Vasconcellos explica que o Brasil está precisando de mais voluntários e que os centros de recrutamento estão espalhados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Para participar, o voluntário precisa ter mais de 18 anos, ser homem gay ou bissexual, mulher transexual ou travesti que perceberam que, pelo menos no último semestre, passaram por situações de risco de transmissão de HIV. Para mais informações, acesse a página do Facebook Programa de Educação Comunitária HCFMUSP.  Caso o voluntário tenha dúvidas quanto aos pré-requisitos, ele pode entrar em contato com os centros de recrutamento para ver se se encaixa no perfil.

 

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