Professora da USP analisa atuação do presidente salvadorenho Nayib Bukele

Vanessa Braga Matijascic diz que o presidente de El Salvador buscou vencer na eleição de 2019 apostando na renovação do que antes era conduzido pelos dois tradicionais partidos políticos salvadorenhos

 20/04/2021 - Publicado há 8 meses
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A atuação do presidente sempre ocorreu em mídias sociais, onde ele alavancou sua imagem – Foto: Flickr

Nayib Bukele tem 39 anos, é filho de empresário, ativo nas redes sociais e um ferrenho crítico da política tradicional de seu país. Hoje, ele preside El Salvador e nesse cargo terá, pela primeira vez em quase três décadas, uma maioria aliada no Congresso do país. Em um contexto de crise econômica e ameaças antidemocráticas, as novas ações de Bukele podem definir os rumos do país.

“Ele buscou vencer nessa eleição de 2019 apostando na renovação do que antes era conduzido pelos dois tradicionais partidos políticos salvadorenhos. Parte da estratégia dele foi mudar a sua apresentação, se colocando mais próximo ao cidadão comum salvadorenho. A atuação do presidente sempre ocorreu em mídias sociais, foi onde ele alavancou sua imagem e também por intermédio de algumas ações”, contextualiza a professora Vanessa Braga Matijascic, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, citando consideráveis investimentos de Bukele na área de saúde de El Salvador.

Localizado na América Central, o país contou com forte influência política principalmente de dois partidos após o término da guerra civil de El Salvador, que foi de 1980 a 1992. De 1989 a 2009, os presidentes salvadorenhos eram da Aliança Republicana Nacionalista, o Arena, um partido de direita. De 2009 a 2019, o poder esteve nas mãos da Frente Farabundo Martí, uma antiga guerrilha de esquerda.

Nesse contexto, Nayib Bukele surge como uma mudança de rumos no país ao compor o recém-formado partido Novas Ideias, de 2018. Ele foi eleito sob a plataforma de garantir boas condições à segurança da população e de propor medidas populistas. Porém, segundo a professora Vanessa, o presidente Bukele ainda cria obstáculos para a democracia salvadorenha: “Ele adota algumas medidas duvidosas na sua atuação, tal como no ano passado, ele entrou no parlamento salvadorenho acompanhado de militares armados para pressionar os deputados. Essa é uma atitude nada democrática e bastante desrespeitosa com as autoridades que lá estavam, bem como com as instituições”.

Vale lembrar que, segundo uma pesquisa de 2018 realizada pelo Latinobarómetro, El Salvador, juntamente com a Guatemala, esteve entre os países que menos apoiaram a democracia na região. “Isso é realmente muito assustador, esse desprezo pelas instituições democráticas no país”, opina a professora Vanessa.

Com as recentes eleições para o Congresso salvadorenho, Bukele terá uma maioria aliada no âmbito legislativo de seu país. Na prática, além de ter mais facilidade na indicação de nomes para o Supremo Tribunal e para a promotoria de direitos humanos, “haverá um amplo espaço para aprovar mais leis por intermédio dessa plataforma política (que defende o presidente). A condução administrativa no Executivo já é feita por ele e há as indicações do Judiciário, portanto os três Poderes terão influência de Nayib Bukele”, conclui.


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