Professora comenta caso de assédio envolvendo a área artística

Andréia Nhur diz que existe uma cultura machista nas estruturas sociais, o que inclui o meio artístico

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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O caso de assédio sexual envolvendo o ator José Mayer e uma figurinista da Rede Globo chama a atenção para ocorrências dessa natureza no meio artístico, o que, como sublinha a professora Andréia Nhur, do Departamento de Artes Cênicas da USP, não deixa de ser contraditório, uma vez que o artista está sempre trabalhando com a alteridade, com o olhar do outro como recurso de representação. Não se pode negar, porém, a existência de uma cultura machista e misógina imbricada nas estruturas sociais, que acaba escorrendo para os ambientes de trabalho de modo geral, o que inclui o ambiente artístico.
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José Mayer – Foto: Divulgação

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As artes cênicas exigem performances não só dramáticas, como também corporais. Essa implicação direta sobre o corpo é que pode fazer a diferença. “Existe uma herança que vem da estrutura social e existe uma herança que vem das histórias dessas artes de modo geral.” A professora Andréia cita como exemplo a dança no século 18, quando homens pertencentes à burguesia francesa tomavam posse de bailarinas, tratando-as como prostitutas,  como se elas fossem de sua propriedade. “Esse imaginário de objetificação”, diz ela, “vai entrando em todos os âmbitos da prática artística – não que isso resista até hoje da mesma maneira, mas permanece a ideia da objetificação da mulher.”

Essa cultura,  que, dentro das estruturas artísticas, vem reencenando atos de violência sobre o corpo feminino, foi, porém, abalada pelos ecos dos movimentos feministas, pelas vozes das mulheres que se colocam contra essa relação de poder que incide sobre o corpo. As redes sociais, de acordo com Andréia, guardam uma função importante na discussão e na elucidação de tais questões.

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