Professor da Poli comenta queda de edifício em São Paulo

Valdir Pignatta e Silva é especialista em estruturas em situação de incêndio

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP

O incêndio, seguido de desabamento, do Edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, no Largo do Paiçandu, no centro de São Paulo, ocorrido nesta terça-feira (1), continua repercutindo na imprensa e na opinião pública. Uma morte foi confirmada em decorrência da tragédia que atingiu o prédio, tombado pelo patrimônio histórico e local de uma ocupação irregular. Ao falar sobre o caso para a Rádio USP, o professor Valdir Pignatta e Silva, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, disse que tudo indica – a partir das notícias e vídeos divulgados – que o edifício apresentava um  excesso de aspectos de risco, como fiação elétrica exposta, botijão a gás em local com probabilidade de incêndio e o que chama de quebra de compartimento vertical, que ocorre quando um  pavimento não está “serrado” em relação ao superior, o que contribui bastante com a propagação do incêndio, uma situação bastante semelhante ao que ocorreu no passado, quando dos incêndios dos edifícios Joelma e Andraus.

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

“Hoje, com a legislação atual, um incêndio que se inicie num pavimento de um edifício de múltiplos andares não pode passar para o andar superior”, explica o professor Pignatta, especialista em estruturas em situação de incêndio. Segundo ele, o projeto tem de ser feito de maneira a que o incêndio fique confinado em seu local de origem. Também pode ter colaborado para a propagação do fogo o fato de o poço do elevador estar aberto. Em relação à queda do edifício, fica mais complicada determinar a sua causa, mas o professor supõe que possa ter havido algum defeito original de estrutura num edifício com mais de 50 anos, condição que o incêndio fez aflorar, causando o colapso da construção. Na opinião do especialista, o prédio não deve ter sido projetado adequadamente, “porque se fosse, qualquer edifício, de qualquer material estrutural – concreto, aço, alvenaria, madeira, o que quer que seja -, se projetado conforme as normas e regras atuais, tem uma segurança adequada”. São poucos os edifícios que colapsam no mundo, de acordo com Pignatta.

Ele também comenta sobre os riscos de incêndios em ocupações irregulares, lembrando da importância de serem feitas averiguações. De acordo com ele, só aparece a necessidade de melhorar a segurança quando ocorre uma tragédia, “só que as tragédias ocorrem, depois o tempo passa, e isso é esquecido até a próxima”.