Problemas socioeconômicos elevam índice de mortalidade infantil

José Luiz Egydio Setúbal comenta o aumento na taxa de mortes de crianças após 26 anos de queda no País

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Após 26 anos de declínio o Brasil registrou, pela primeira vez em 2016, o aumento na taxa de mortalidade infantil, como apontam dados do Ministério da Saúde. O relatório mostra 14 mortes de bebês até um ano a cada mil nascidos vivos em 2016, um aumento de 4,8% em relação ao ano anterior. O número seguia caindo desde 1990, quando foram registradas 47,1 mortes a cada mil crianças com menos de um ano. O Brasil ainda está longe dos países de desenvolvidos que registram cinco mortes a cada mil crianças nascidas.

Segundo o Ministério, o indicador foi afetado por conta da redução de nascimentos relacionados ao adiamento de gestações e à epidemia do zika virus, além de argumentar que as crianças são o grupo mais afetado da população com as mudanças socioeconômicas no País.

José Luiz Egydio Setúbal, médico pediatra da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, vice-presidente do Instituto de Pesquisa Pensi e coordenador do Grupo de Pesquisa Saúde Infantil do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, comenta a importância da discussão da saúde infantil e dos estudos realizados pelo Grupo de Pesquisa.

As crianças são as mais vulneráveis a doenças, problemas econômicos e problemas sanitários, situações que têm grande impacto na taxa de mortalidade. A pobreza na qual estão situadas as famílias é um dos principais fatores de morte precoce, que tem relação também com a má alimentação e a falta de amamentação dos bebês, o que favorece o desenvolvimento de doenças infecciosas. Por sua vez, o zika virus, segundo o relatório do Ministério, contribuiu com cerca de 315 mortes desde 2015, o que reforça a necessidade de cuidados.

Algumas doenças têm voltado à tona após sua erradicação por conta do baixo índice de vacinação de crianças, como o sarampo, o que também pode contribuir para a taxa de mortalidade. Segundo Setúbal, isso se deve à existência de fake news relacionadas a vacinas, e também pode estar vinculado a problemas logísticos como o horário de funcionamento dos postos de saúde. É papel também dos veículos de comunicação reforçar que a vacinação é uma forma eficiente e segura para a proteção contra o contágio de doenças, além de ser obrigatória por lei no Brasil e distribuída gratuitamente.

Nesse sentido, o Grupo de Pesquisa Saúde Infantil, do IEA, pretende mapear as doenças infantis na cidade de São Paulo, começando com doenças respiratórias, nutricionais e de neurodesenvolvimento, a fim de analisar os fatores que influenciam na saúde de crianças.  

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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