Primeiro turno é marcado por conservadorismo e onda antipetista

Especialista explica que candidatos devem buscar aproximação com forças políticas, focando na governabilidade

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Teremos segundo turno para a Presidência da República. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) teve a maioria dos votos válidos em 16 Estados e no Distrito Federal. Fernando Haddad (PT) ganhou em nove Estados, a maioria no Nordeste. Reduto do partido foi o que garantiu realização de segundo turno, mas Bolsonaro avançou por Estados onde Dilma havia vencido em 2014. O resultado apontou Bolsonaro com 49.275.358 votos, 46,03% do total de válidos. Em 2º lugar, Haddad, com 31.341.839 votos, 29,28% do total. Brancos e nulos somaram 8,79% e abstenções, 20,32%, maior índice desde 2002. Bolsonaro e Haddad voltam a se enfrentar no segundo turno, no dia 28 de outubro. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, José Álvaro Moisés, cientista político e colunista da Rádio USP, falou sobre o resultado do primeiro turno.

Na opinião dele, os resultados mostram que estamos numa onda conservadora, que têm duas causas fundamentais: em primeiro lugar, há uma insatisfação de um segmento muito amplo dos eleitores com o que vinha acontecendo na política brasileira. Em especial, uma indignação contra a política tradicional em relação à corrupção. Bolsonaro conseguiu “galvanizar” essa indignação, e os resultados que ele e seus aliados estão tendo reflete isso. Em segundo lugar, essa indignação se articulou e interagiu com uma posição antipetista que já vinha se revelando com as denúncias da Lava Jato e se acentuou nesta eleição.

Ele destaca que a posição dos candidatos não está muito clara em relação a questões importantes, como a retomada da economia; enfrentamento do ajuste fiscal;  déficit da Previdência; e como irão organizar a governabilidade. Esse 1º turno ficou marcado por dois parâmetros: a escolha foi muito mais emocional do que racional. Ambos os partidos adotaram estratégias de “vitimização”, PT com o Lula e Bolsonaro com o atentado que sofreu. Nesse contexto, o tratamento de racionalidade, de entender as propostas e de ter uma clareza sobre suas implicações não vieram à tona.

O Congresso está polarizado: PT com 56 deputados e PSL com 52. Na opinião do cientista político, os resultados mostram uma mudança na composição das forças políticas, especialmente com a emergência de alguns partidos como o PSL. Isso demonstra que os termos do debate vão cada vez mais para uma posição conservadora no que diz respeito a costumes, legislação e uma série de questões. A questão da governabilidade não diz estritamente respeito a essas escolhas, mas a respeito da capacidade de que esses candidatos terão de negociar com a oposição. José Álvaro Moisés vê maior possibilidade de negociação caso Bolsonaro seja eleito. Isso porque algumas bancadas já anunciaram que irão apoiá-lo, como a bancada evangélica, a bancada “da bala” e a ruralista. Como essas bancadas também têm uma visão conservadora, o provável significado desse apoio é que com ele haverá a formação de bloco conservador majoritário a favor das posições do candidato. Nesse contexto, será importante uma organização sólida da oposição em contato com a sociedade brasileira.

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