Primeira vacina contra a malária representa grande avanço na tentativa de conter a doença

Segundo Cláudio Farias Marinho, o imunizante, desenvolvido após mais de três décadas de pesquisas, será fundamental para salvar a vida das crianças contaminadas pela doença

 Publicado: 13/10/2021
Por
A malária é uma doença infecciosa causada por alguns protozoários do gênero Plasmodium e transmitida para os humanos através da picada de um mosquito contaminado – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a primeira vacina contra a malária da história. A instituição ainda recomendou a aplicação do imunizante nas regiões com altas taxas de infecção, principalmente no continente africano.

Foram mais de três décadas de pesquisa para que a vacina RTS,S – também chamada de Mosquirix – fosse aprovada. Segundo Cláudio Farias Marinho, professor do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, a complexidade dos protozoários dificulta o desenvolvimento de imunizantes.

“Esses parasitas têm mecanismos de escape do nosso sistema imunológico e fazer uma vacina com sucesso é uma tarefa árdua”, afirma Marinho, ao comparar a rapidez com que os imunizantes contra o coronavírus foram desenvolvidos.

A malária é uma doença infecciosa causada por alguns protozoários do gênero Plasmodium e transmitida para os humanos através da picada de um mosquito contaminado. Entre os sintomas, estão febre, dores e fadiga. Em 2019, foram 229 milhões de casos e mais de 400 mil mortes, a maioria crianças.

A vacina age contra um tipo específico de protozoário, o Plasmodium falciparum, e será aplicada justamente nas crianças. Ao todo, são quatro doses, a primeira aos cinco meses, e a última aos 18 meses de vida. No Brasil, onde outra espécie de plasmódio é mais comum, ela não deve ser utilizada.

Segundo o professor, a Mosquirix tem eficácia entre 26% e 50%, um índice considerado baixo. Entretanto, Marinho ressalta que a vacina será muito importante para conter a mortalidade infantil.

“É muito importante quando você compara o número de óbitos anuais”, afirma, “então, é um passo gigantesco dos cientistas e certamente nos próximos anos nós vamos salvar muitas crianças utilizando essa vacina no continente africano”.

O professor também ressalta o envolvimento do Brasil nessa descoberta. Ele cita Ruth Nussenzweig, professora da USP que, em 1967, demonstrou pela primeira vez a possibilidade de gerar imunidade protetora para a malária. “Toda a comunidade científica sempre lembra esse fato”, comenta Marinho.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. No ar, pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 10h45, 14h, 15h e às 16h45. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.