Previsão de safra maior se deve ao aumento de área cultivada

Para especialista da Esalq, clima não é fator predominante nas projeções para 2019

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O agronegócio brasileiro pode registrar no ano que vem a maior safra da história, com uma produção de 238,41 milhões de toneladas de grãos. Se confirmada a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a próxima safra vai superar a de 2016/2017, quando  registrou um recorde de produção de 237,67 milhões. As projeções da Conab estão baseadas no cenário para o clima e na dinâmica de preços. As chuvas da primavera vieram intensas, entre outubro e novembro, antecipando o plantio da soja e criando uma boa perspectiva para a segunda safra de milho. O quadro é mais favorável do que na safra de 2018, pois as chuvas na primavera de 2017 demoraram e foram menos intensas.

Jornal da USP no Ar entrevistou o professor Fabio Marin, engenheiro agrônomo, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e pesquisador dos temas de modelagem de crescimento de culturas tropicais, agrometeorologia, avaliação de riscos climáticos para agricultura e zoneamento agrícola. Marin explica que existem três aspectos que têm influência na safra agrícola: o clima, o nível de tecnologia com o qual os produtores cultivam a safra e a área cultivada, e aponta que o crescimento da safra se deve mais ao aumento da área cultivada do que ao clima favorável.

O Sistema Tempocampo, monitoramento climático produzido pela Esalq, mostra até o momento que o clima do Paraná levará a uma perda de produtividade da soja, enquanto o do Mato Grosso resultará em ganho. O boletim aponta que o mês de novembro foi marcado pelo bom volume de chuvas na região Centro-Sul do País, com volumes na faixa de 200 mm no sul de Goiás, praticamente todo o Estado do Mato Grosso, Norte de São Paulo e Triângulo mineiro.

A grande safra brasileira, a safra de verão, é semeada entre outubro e novembro e colhida entre fevereiro e abril. Nela se engloba grande parcela da produção de soja e arroz e parte das de milho e feijão. O produtor brasileiro, guiado pela pesquisa agrícola, vem otimizando o uso da terra e aumentando sua produtividade.

Para a produção de cana-de-açúcar, o especialista aponta que a perspectiva climática é bastante favorável. A colheita ao longo de 2018 sofreu com a seca e com as temperaturas mais altas do que o adequado para a cultura, mas a estabilização da chuva em novembro vem trazendo um resultado positivo para 2019. Mesmo assim, Marin explica que, se houver um fenômeno adverso, essa expectativa pode ser revertida. Por isso, ele destaca que as decisões mais importantes a serem tomadas nesse setor não são agrícolas, e sim econômicas, como antecipar venda e compra, e disso vem a relevância das informações disponibilizadas por serviços como o Sistema Tempocampo.

Os boletins do Tempocampo são disponibilizados na primeira semana de cada mês no site da Esalq, fazendo uma análise do mês anterior e prevendo tendências para os próximos meses.

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