Presidente da Fundação Palmares comete crime de racismo

A opinião é do professor Dennis Oliveira, que ressalta a necessidade de dar nome aos fatos nas redações para não naturalizar esse comportamento

jorusp

O novo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Nascimento de Camargo, responsável pela promoção da cultura afro-brasileira, alega que “a escravidão foi benéfica para os descendentes”. Além disso, afirmou que o movimento negro precisa ser extinto. Para o professor Dennis de Oliveira, do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA), o que aconteceu não foi sequer injúria racial. “É racismo e isso compete uma representação criminal”, defende.

Professor de jornalismo, Oliveira salienta a necessidade de dar nome aos bois nas redações. “Há uma tendência de naturalizar esse comportamento nos tempos de hoje”, aponta. Ontem (28), foi protocolada na Procuradoria Geral da República (PGR) uma representação da bancada de deputados do PSOL para anular a nomeação de Camargo e responsabilizar também o secretário da Cultura, Roberto Alvim.

Foto: Douglas Freitas via Flickr – CC

A gestão do presidente Jair Bolsonaro reformou a subpasta da Cultura, agora subordinada ao Turismo, no intuito de articular um projeto mais conservador. Depois da indicação de Alvim para comandar a secretaria, Katiane de Fátima Gouvêa, membro da Cúpula Conservadora das Américas, assume a pasta do Audiovisual. Fundador do Simpósio Nacional Conservador de Ribeirão Preto, Camilo Calandreli é responsável pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura — órgão responsável pela Lei Rouanet. Segundo Oliveira, há indícios de uma “intenção de ter o controle da produção cultural no Brasil” por parte do governo.

Nascida em 1988, a Fundação Palmares é uma conquista do movimento negro, conta o especialista. “No centenário da abolição da escravidão, o movimento rejeita a comemoração da data, mostrando que ela foi inconclusa”, lembra. Desde então, os negros entraram na agenda do Estado brasileiro, de pouco a pouco. Assim, surgiram políticas públicas como as cotas raciais e a tipificação do racismo como crime inafiançável, a Lei Caó. 

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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