Precisamos nos desvencilhar do humor retrógrado, racista e sexista

Renato Janine comenta os vídeos de mulheres e crianças russas constrangidas a repetir frases de teor sexual, sem saber o significado

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O tema da semana da coluna de Renato Janine Ribeiro são os vídeos gravados por brasileiros e estrangeiros, nos quais mulheres e crianças russas são incentivadas a repetir frases constrangedoras, de cunho sexual, sem saberem o significado.

O professor lembra que sempre houve um humor que contesta os poderes estabelecidos e um outro, que ajuda a manter esses poderes. “O humor dos vídeos com mulheres russas mantém o preconceito racial, de gênero, e a opressão patriarcal. Não é um humor inocente, é um humor zombeteiro. Quem quiser se aprofundar nisso, pode ver ou ler O Nome da Rosa, em que Umberto Eco fala muito bem desse humor revoltado, dos humildes, que quer mudar o mundo para melhor. Esse humor é muito bom. Não temos de ficar presos ao humor ultrapassado, retrógrado, racista e sexista”, destaca o colunista.

Segundo Janine, vivemos um momento em que canalhices como essa são reveladas, mas nem por isso cabe aquele argumento do “quem nunca”: quem nunca fez uma piada machista, racista, ou homofóbica? Para ele, a grande maioria de mulheres não faz piada machista, nem negros fazem piadas racistas, e lembra que as piadas com homens ou brancos são muito mais raras, embora tão inaceitáveis quanto.

“Quando esse tipo de fala é comum, resulta em agressão, assassinato, preconceito na hora de contratar, vai resultar em todo o tipo de coisa no qual essa aparente piada é apenas a ponta de um iceberg, porque o que vem junto disso é muito grave. Não é brincadeira, não é piada”, destaca o professor. Janine faz ainda um desafio. “Se nós queremos realmente fazer piada, se achamos que tudo isso prejudica o humor, que o mundo está ficando chato, então vamos melhorar a qualidade do humor”, sugere.

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