Prática de exercícios físicos retarda efeito de Parkinson

Especialista diz que são necessários pelo menos 150 minutos de atividade física por semana para bons resultados

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A doença de Parkinson é marcada pela degeneração progressiva dos neurônios produtores do neurotransmissor dopamina, intimamente relacionados ao domínio sobre os movimentos do corpo. O Dia Internacional da Doença de Parkinson acontece neste 11 de abril, a data é marcada por diversas ações em todo o mundo. A Rede de Apoio Neuromat a Amigos e Pessoas com Doença de Parkinson (Amparo) lança a campanha Pessoa com Parkinson que se exercita.

O Jornal da USP no Ar conversa com a professora Maria Elisa Pimentel Piemonte, do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina (FM) da USP, a fim de compreender os detalhes da campanha e particularidades da doença de Parkinson.

“Hoje, a doença de Parkinson é considerada uma síndrome, ou seja, ela é uma doença que envolve vários sistemas e, consequentemente, vários sintomas”, expõe a professora Maria Elisa. O processo de destruição das células nervosas ocorre em vários cantos do cérebro e gera, na maioria das vezes, sintomas como rigidez muscular e tremores involuntários. No entanto, nem sempre são eles que denunciam o quadro. “Quando o diagnóstico se faz possível [o Parkinson], começou há cerca de 10 a 20 anos”, aponta a professora.

Essa fase, conhecida como fase pré-diagnóstica ou pré-clínica, é caracterizada por sintomas não motores, como a alteração do sono. Os sintomas cardinais, isto é, aqueles que possibilitam o diagnóstico da doença, são marcados por alterações motoras, ou melhor, “pela lentificação do movimento”, explica a especialista. A grande problemática é que, muitas vezes, esse sintoma acaba sendo normatizado como algo decorrente ao envelhecimento.

Outro sintoma característico da doença de Parkinson é a assimetria nos movimentos. Quando um dos braços balança mais que o outro, por exemplo, isso é importante para o diagnóstico, comenta Maria Elisa. O diagnóstico fica mais fácil quando sintomas como a rigidez muscular e o tremor surgem. Segundo a professora, esses sintomas são logo vistos como uma anormalidade e o neurologista é procurado.

Cabe ponderar que o Parkinson não é uma doença da terceira idade. “Há uma tendência mundial no aumento do número de pessoas com diagnóstico precoce”, enfatiza Maria Elisa. Ela explica que a doença é idiopática, ou seja, sua causa é obscura ou desconhecida. Entretanto, o aparecimento prematuro da doença traz graves problemas para o processo de sociabilização: início de carreira, gravidez ou período pós-parto são momentos decisivos bastante impactados pelo surgimento da doença.

A professora Maria Elisa esclarece que ainda há um “medicamento para o tratamento da doença de Parkinson”, mas é consenso na literatura científica que a prática diária de exercícios contribui para o retardamento dos sintomas. “São necessários pelo menos 150 minutos de atividade física por semana. Isso dá 30 minutos por dia”, se considerarmos o período de segunda a sexta.

A campanha Pessoa com Parkinson que se exercita vem, justamente, para promover a atividade física. O ideário do projeto é dar autonomia para que a pessoa consiga realizar o exercício em casa. Maria Elisa explica que o serviço é gratuito e que no site do programa há tutoriais ilustrativos dos exercícios, contemplando os principais conjuntos musculares.

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