Políticas públicas podem auxiliar no combate à violência doméstica na pandemia

Maria Arminda Arruda, coordenadora do escritório USP Mulheres, alerta para uma dizimação de mulheres de determinadas camadas sociais dentro do ambiente doméstico

jorusp

Que papel tem as políticas públicas no auxílio às mulheres que têm sido atingidas pela crise? Quais os programas promovidos pelo Estado para ajudá-las? Para responder a essas e outras questões, o Jornal da USP no Ar conversou com a professora Maria Arminda Arruda, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenadora do escritório USP Mulheres. 

A professora diz que políticas públicas, neste momento de pandemia, são da maior importância, mas reforça que devemos pensar a pandemia como uma situação heterogênea. “Há mulheres, não uma mulher. Uma mulher é aquela que mora nas comunidades, nas favelas, que é chefe de família e tem de sair de casa para buscar o sustento da família. Outra mulher é a da classe média, a acadêmica, por exemplo”, aponta. 

+ Mais

Universidade lança a campanha USP Mulheres – Elas sempre podem

A professora continua dizendo que, apesar de chegar a todas, a pandemia atinge mais algumas mulheres que outras. “E as mulheres das periferias das grandes metrópoles? Nesse contexto a desigualdade aumenta, inclusive em relação à violência doméstica. Estamos vivendo uma espécie de dizimação de mulheres de uma certa camada social dentro do espaço doméstico, e esse quadro foi agravado pela pandemia. Por isso, é necessária uma ação efetiva dos órgãos públicos”, explica. “Nesse sentido, a USP e o escritório USP Mulheres lançaram a campanha USP Unida pela Igualdade de Gênero, inicialmente mais referida à comunidade USP, e estamos lançando uma campanha contra a violência doméstica.” 

O escritório USP Mulheres, em conjunto com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV), conseguiu um financiamento a fim de treinar guardas municipais para atender à violência contra a mulher. “Além da dificuldade, por diversos motivos, em denunciar a violência, muitas mulheres são submetidas a constrangimentos, com perguntas como ‘O que você fez?’ e outras do gênero, quando chegam a realizar denúncias, como se houvesse justificativa. A Universidade precisa ser uma parceira desse esclarecimento”, aponta a professora. 

As pesquisas feitas pela Universidade, segundo Maria Arminda, funcionam como um retorno à sociedade, já que, por meio dos dados obtidos, é possível verificar locais, camadas sociais e condições em que a violência contra a mulher é maior. “É preciso, no entanto, de políticas públicas para isso, já que são projetos de difícil execução. Revelar as possibilidades para atenuar a violência é uma das contribuições que podemos dar”, completa. 


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP, Faculdade de Medicina e Instituto de Estudos Avançados. Busca aprofundar temas da atualidade de maior repercussão, além de apresentar pesquisas, grupos de estudos e especialistas da Universidade de São Paulo.
No ar de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular.

.

.

.


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.