“Política não é kickboxing”, afirma Marília Fiorillo

O populismo escatológico e mal-ajambrado corre o mundo inspirado em dizer mentiras e engoli-las com apetite é típico das ditaduras atuais

A professora Marília Fiorillo, na edição de hoje, comenta sobre  o populismo escatológico baseado no prazer de dizer e ouvir mentiras. Para ela a atual polarização de opiniões, sentimentos e ressentimentos muito mais do que ideias deu cabo da civilidade com tanta rapidez que pouca gente ainda lembra dela. “O por favor, com licença, obrigado sumiram do vocabulário. O pior é quando a civilidade é apagada do espaço público e a truculência se torna a norma cult”, observa.

Marília diz que a hipocrisia é um elemento ancestral da política e muitas vezes benéficos como prestação de contas, pois reconhece a necessidade de ter tato para lidar com o adversário ou com a opinião pública. Melhor o “suavilóquio”, um modo de suavizar os fatos para não entornar o caldo, do que o “sincericídio” ignorante e brutal. Política não é kickboxing. É além da busca do bem comum, a arte de fazer rodeios, conversar nos bastidores, abrir um espaço para a negociação. Insultar e desqualificar é mal sinal não só porque é repulsivo, mas porque significa que os poderosos podem dizer na lata o que lhes dá na telha.

O populismo escatológico e mal-ajambrado corre o mundo inspirado em dizer mentiras e engoli-las com apetite é típico das ditaduras atuais, observa a professora. “Quando fatos e evidências não importam mais e as falsas narrativas satisfazem não é de estranhar que elas sejam expressas em linguagem de ralé e a civilidade não sobreviva sequer como mera civilidade.”

Ouça no link acima a íntegra da coluna Conflito e Diálogo.


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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