Plano Real livrou o País do dragão da inflação

Os professores José Augusto Guilhon Albuquerque e Hélio Nogueira da Cruz relembram os 25 anos do Plano Real no “Diálogos na USP”

No dia primeiro de julho de 1994, o Brasil chegou à reta final para, finalmente, domar o dragão da inflação. Depois de uma série de planos econômicos fracassados, como o Plano Cruzado, o Plano Bresser, o Plano Collor e o Plano Verão, e de ver a inflação chegar a patamares de quase 100% ao mês, a agonia acabou, com a implantação do Real como nova moeda.

O Plano Real, ideia gestada desde meados de 1993 pela equipe econômica do então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, na Presidência de Itamar Franco, proporcionou que a tão desejada estabilidade econômica começasse a se tornar realidade.

Um país que não controla a inflação não tem moeda. A verdade é que a moeda não existe se não houver confiança. Foi justamente a confiança resultante do Plano Real que permitiu que os índices inflacionários fossem substituídos por uma moeda que se mantém estável, mesmo com crises políticas no País e crises econômicas no mundo globalizado.

Para falar sobre os 25 anos do Plano Real e sua herança, o Diálogos na USP recebeu os professores José Augusto Guilhon Albuquerque, cientista político, professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, a FEA, e Hélio Nogueira da Cruz, economista e professor titular também da FEA.

Marcello Rollemberg, Hélio Nogueira da Cruz e José Augusto Guilhon- Foto: Marcos Santos/USP Imagens

José Augusto Guilhon Albuquerque destacou que o Plano Real obteve sucesso porque foi politicamente viável, já que foi negociado com o Congresso antes de ser aplicado. “Houve uma longa negociação, a base de apoio do governo do Itamar discutiu a necessidade e o modelo do plano”, afirmou. Dessa forma, quando o plano foi apresentado, já havia uma base de sustentação dentro do Congresso para sua aprovação.

Hélio Nogueira da Cruz ressaltou o aprendizado proporcionado pelos erros anteriores, relembrando que “o cruzado já contava com vários dos personagens que elaboraram o Plano Real. Foram diversos pacotes com sucesso imediato e que, em pouco tempo, viraram um fracasso retumbante”. O professor também recordou que “muitas das questões, em termos de diagnóstico, eram muito semelhantes ao que se fala hoje. Como fruto do processo de substituição de importações tínhamos um Estado forte, inflação e déficit público”.

Guilhon rememorou o risco que Fernando Henrique Cardoso decidiu correr ao aceitar o cargo de ministro da Fazenda, já que “o Itamar Franco era conhecido por destruir, um por um, os presidentes do Banco Central e os ministros da Fazenda”. Para o professor, a valorização de economistas com novas ideias também foi fundamental para a criação do Plano Real: “Houve uma nova geração de economistas que saíram daquela ortodoxia estatista, protecionista e desenvolvimentista, que era a economia dominante”.

Já o professor Hélio Nogueira da Cruz alertou para uma possível reversão dos benefícios do Plano Real. “Quando surgem propostas como a utilização das reservas para aumentar o crescimento da economia, é preocupante. As reservas são um dos elementos que nos dão estabilidade externa e, ao gastar isso de forma precipitada, coloca-se em risco todo o equilíbrio externo da economia”, afirmou.

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