Plano Diretor de Aracaju privilegia transporte privado em detrimento do coletivo

Matheus Barboza analisa nota técnica 15 do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da USP, denominada “Políticas públicas, cidades e desigualdades”, cujo tema é o Plano Diretor da capital de Sergipe, Aracaju

 Publicado: 24/11/2021  Atualizado: 26/11/2021 as 8:34
Novo Plano Diretor de Aracaju segue no sentido oposto ao necessário desestímulo ao uso do carro e carece de propostas que olhem para a segurança viária – Foto: Prefeitura de Aracaju

Aracaju, a capital de Sergipe, tem, entre as capitais do Nordeste, a maior frota de automóveis, proporcionalmente à população, e a segunda pior taxa de mortes no trânsito. A despeito disso, a primeira proposta do novo Plano Diretor da cidade busca promover o uso de automóveis privados, dando pouca atenção ao transporte coletivo.

Esse é um dos aspectos destacados na Nota Técnica 15 do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da USP, denominada Políticas públicas, cidades e desigualdades. Matheus Barboza, pesquisador vinculado ao CEM, comentou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição que a escolha de Aracaju para análise nesta nota se justifica pela cidade ter porte médio, tipo de cidade em que grande parte da população brasileira vive.

Matheus Barboza – Foto: Reprodução/LinkedIn

Segundo Barboza, o plano diretor vai além do planejamento urbano, é quem dirige as principais políticas públicas da cidade e tem um papel grande na avaliação dessas políticas por uma ótica de redução de desigualdade. “É importante que o plano diretor olhe para isso, afinal, se você não olha para isso, é como se você estivesse considerando que todas as pessoas têm iguais condições”, conta o pesquisador.

Ele diz que o novo Plano Diretor da cidade segue no sentido oposto ao necessário desestímulo ao uso do carro e carece de propostas que olhem para a segurança viária, como a redução da velocidade na cidade ou uma separação mais adequada na circulação dos diferentes usuários da via. Outro problema encontrado na elaboração da nota técnica foi a ausência de uma disposição adequada de dados sobre transporte no site da Prefeitura de Aracaju.

Barboza explica que o planejamento de transporte antigo olhava para o crescimento da demanda de automóveis como algo que exigia uma oferta também crescente. À medida que as pessoas passavam a utilizar mais carros, o papel do poder público seria investir em medidas como ampliação de vias e ampliação de estacionamentos. No entanto, essa postura demanda um custo social muito elevado quando analisados fatores como o número de acidentes automobilísticos ou a poluição gerada pelos automóveis, e acaba exigindo muito do orçamento público. Para Barboza, “o ideal não é seguir por esse caminho, por esse ser um caminho inviável no fim das contas”.

Matheus Barboza acredita que o Plano Diretor deveria incorporar regras no zoneamento que incentivem o adensamento da população em torno das áreas de maior oferta de transporte público, como corredores e faixas de ônibus, além de promover medidas como requisitos mínimos de estacionamento de bicicleta para estimular esse meio de transporte.

A Nota Técnica 15 pode ser lida na íntegra neste link.


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