Pesquisa da USP busca marcadores genéticos de gordura no fígado

Estudo foi feito em pacientes com Hepatite C, os quais podem ter avanço da doença com a esteatose hepática

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Um dos objetivos de um grupo de pesquisa do Laboratório de Investigação Médica em Hepatologia por Vírus (LIM 47) é detectar e avaliar qual a influência genética da esteatose hepática em pacientes com diagnóstico de hepatite C. A partir disso, buscar soluções personalizadas para diferentes grupos genéticos. A hepatite C é reconhecida como a maior causa de doença hepática crônica no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem 71 milhões de pessoas portadoras da doença crônica. Caracterizada por uma inflamação persistente, o paciente pode desenvolver uma fibrose, uma cirrose e, em casos mais graves, um carcinoma. O desenvolvimento de fibrose hepática na hepatite C é multifatorial, sendo que alguns fatores podem aumentar o risco da doença, tais como idade e gênero, carga viral e genótipo viral, além de alcoolismo, tabagismo e infecções por outros vírus. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Mariana Cavalheiro Magri, doutora em Ciências pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, pesquisadora do LIM 47 do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, falou sobre a pesquisa.

Ela esclarece que o grupo está investigando marcadores genéticos, chamados de “polimorfismos”, que parecem silenciar a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado). Os pacientes possuem a doença hepática crônica, ou seja, hepatite C. O acúmulo de gordura pode contribuir para o avanço da doença. A pesquisa foi feita em diferentes genes humanos e, até agora, os estudos forneceram evidências de que, nos pacientes da hepatite C crônica, existe um importante poliformismo, localizado num gene chamado PMTLA3, que está fortemente associado à esteatose hepática. Há outros três polimorfismos localizado em outro gene humano, chamado de MTTP, que, em conjunto com o vírus da hepatite C, aumentam entre 7 a 25 vezes a chance do desenvolvimento da esteatose. Esses resultados começam a dar informações importantes para identificar os mecanismos da esteatose nos pacientes cronicamente infectados pela hepatite C.

Segundo a pesquisadora, a esperança é de que, num futuro próximo, a importância de se predizer a existência desses polimorfismos seria como uma “assinatura genética”. O que poderia ajudar a definir subgrupos de pacientes com risco para desenvolvimento da esteatose, que poderão ser beneficiados por uma maior prevenção (alimentação balanceada e prática regular de exercícios físicos) e também tratamento.

Ela explica que, apesar de hoje existirem novos medicamentos (drogas de ação direta), que têm sido muito eficientes, fornecendo até uma cura aparente do vírus para alguns pacientes, ainda há uma parte das pessoas com infecção crônica que descobrem a doença no estágio avançado e os medicamentos não são tão eficazes. O vírus pode até ser eliminado, mas o dano hepático continua. Há ainda outras questões como resistência aos remédios, o que gera uma resposta não eficaz ao tratamento. Mais um motivo pelo qual é importante predizer a tendência genética.

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