Perspectiva política para 2020 inclui pautas de reforma política

Para Rafael Cortez, temas a serem discutidos em 2020 já configuram reforma e revolução nas regras eleitorais exige tempo

Em ano de eleições ganham destaque temas como candidaturas avulsas, novos partidos e mudanças nas regras eleitorais que entram em vigor. “Diante do cenário de crise política e reestruturação de partidos políticos no Brasil, 2020 me parece ser um ano com eleição fundamental para pensarmos em um quadro político mais amplo”, declara Rafael Cortez, doutor em Ciência Política pela USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

O cientista político lembra uma mudança importante para 2020. É neste ano que entra em vigor a proibição dos partidos em se coligarem para eleições de cargos legislativos. Para ele, vai ser um laboratório para tentar estudar como os políticos irão reagir a essa mudança na legislação eleitoral. Outra pauta que entrará em jogo é a questão das candidaturas avulsas. “Um dos efeitos disso é a criação de um novo partido por parte do presidente para abrigar o bolsonarismo. O Aliança pelo Brasil eventualmente será mais um competidor nesse xadrez político já bastante agitado.”

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Assunto discutido em vários países, as candidaturas avulsas afetam bastante a ideia de representação política, de acordo com Cortez. Ainda segundo ele, a previsão dessas candidaturas irá confirmar uma mudança no olhar de como deve ser construída a representação política. “A ideia de candidatura avulsa é um grande questionamento aos partidos políticos, deve ser acompanhada com muito cuidado, e certamente terá repercussões bem relevantes não só nesta eleição, mas nas seguintes também.”

Rafael Cortez lembra que financiamento eleitoral e redução do número de parlamentares, por exemplo, são pautas difíceis de serem aprovadas em ano eleitoral.  Ele lista algumas das responsabilidades do Congresso que devem interferir na aprovação de medidas do governo: agenda econômica cheia, reformas administrativa e tributária, PEC do pacto federativo, prisão em segunda instância, entre outras. “O governo Bolsonaro inaugurou uma outra forma de se fazer política, alterando a ideia do presidencialismo de coalizão e do chefe do Executivo montando base majoritária para construir apoio para sua agenda. É um governo de minoria e precisamos entender melhor os limites desse governo. Até quando um governo minoritário com um presidente pouco disposto a defender sua agenda consegue responder a todos os dilemas que conversamos?”

Ouça a entrevista completa no player acima.


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