Perigo da febre maculosa está na sua raridade

Especialista diz que a doença tem sintomas comuns a muitas outras moléstias, então o diagnóstico é difícil

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O Estado de São Paulo tem registrado avanço no número de casos de febre maculosa, doença transmitida pelo carrapato. A incidência da doença é mais comum em pessoas que vivem ou frequentam áreas rurais infestadas por carrapatos. Além disso, estar em contato com animais como capivaras, cavalos, vacas e cachorros com carrapatos também aumenta o risco de contrair a doença. Segundo familiares, uma vítima fatal teria contraído a doença após frequentar pesqueiros, considerados áreas de risco. Este ano, já foram registrados 23 mortes por febre maculosa na região de Campinas, onde fica o município de Amparo. Em Americana, nove óbitos foram confirmados. Alguns casos de mortes suspeitas estão em investigação. Limeira registrou uma morte e 15 casos passam por investigação. Jundiaí teve 18 casos notificados e uma morte confirmada. De acordo com números repassados pelos municípios ao Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, em todo São Paulo foram totalizadas 28 mortes por febre maculosa, até o fim de setembro.

O professor Marcelo Bahia Labruna, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, especialista em doenças parasitárias, conta que a doença é sazonal, ou seja, sua incidência varia de acordo com o período do ano, concentrando-se nos momentos mais secos, que estão no segundo semestre. Então é comum que se fale menos na doença nos primeiros meses do ano, pois os casos são poucos; eles tendem a aumentar por volta de maio, com ápice agora, na transição de estações secas para chuvosas. Ele lembra, no entanto, que a doença vem avançando para o interior, principalmente como consequência da expansão da população de capivaras nesta região, assim como de lavouras de cana de açúcar, que servem de alimento para o roedor. Na Grande São Paulo, onde as capivaras não oferecem riscos, o cão doméstico tem um papel importante na transmissão da doença, diz o professor.

Labruna explica que animais também podem vir a ser vítimas fatais da doença. Embora a chance de morte de uma capivara seja muito pequena, ele conta que nos cachorros, por exemplo, há chances reais de morte. Quanto aos seres humanos, os riscos existem pelo fato de a febre maculosa ser uma doença rara com sintomas iniciais comuns a diversas outras doenças mais cotidianas: febre, dor de cabeça e dor no corpo, entre outras. Por isso, para o médico suspeitar da febre maculosa, é necessário que a pessoa informe que esteve em área de risco, caso contrário, o tratamento não será feito, dado que apenas um antibiótico é funcional contra a doença. O especialista conta ainda que, caso não seja tratada, a doença tem uma letalidade que chega à casa dos 80%, ao passo que, com tratamento, a probabilidade de cura gira em torno dos 100%.

Por fim, o professor alerta que a melhor medida de profilaxia é evitar os locais de risco. No entanto, em caso de necessidade de ir ao local, o primeiro passo é, se pegar carrapato, manter a calma e procurar um hospital, onde o indivíduo ficará em observação, visto que menos de 1% dos carrapatos estão infectados com a febre maculosa, e mesmo que o carrapato esteja infectado, ele precisa estar fixo na pele por cerca de 10 horas para transmitir a doença. Portanto, é importante, para quem está em áreas de contaminação, vasculhar o corpo a cada duas ou três horas, pois assim pode-se retirar possíveis carrapatos e evitar a contração da doença. Para arrancar o carrapato, o professor explica que o ideal é retirar com uma pinça, mas deve-se dar prioridade à retirada do carrapato o mais rápido possível, mesmo que com os próprios dedos, tomando cuidado para não estourá-lo de modo a liberar as bactérias que ele pode estar carregando. Depois disso, Labruna recomenda queimá-lo ou jogar no álcool para evitar que ele volte a infestar o ambiente.

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