Periferias da cidade sofrem com a falta de hospitais de campanha

Laura Camargo Feuerwerker diz que, apesar da inauguração da unidade da Brasilândia, os hospitais de campanha estão majoritariamente concentrados na região central

jorusp

A Prefeitura de São Paulo inaugurou, na segunda-feira (11), 20 leitos de UTI na Brasilândia, em uma tentativa de descentralizar os hospitais de campanha e atender regiões periféricas atingidas pelo novo coronavírus. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Laura Camargo Macruz Feuerwerker, professora do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, comenta o papel dessas unidades médicas móveis e outras medidas no combate à covid-19.

Antes mesmo de a pandemia estourar no Brasil, autoridades responsáveis pela cidade de São Paulo começaram a se preparar para conter as consequências da doença. Uma das medidas tomadas foi a construção de hospitais de campanha. Contudo, para a professora, o planejamento não foi dos melhores, visto que “a grande maioria [dos hospitais de campanha] está localizada nas regiões centrais e o quente da pandemia está agora na periferia e é complicado esse movimento de transportar as pessoas”.

Outra falha no planejamento foi a escolha pela montagem desses novos prédios em vez do emprego do investimento em unidades já construídas. “Teria sido mais inteligente abrir novos leitos em hospitais já existentes”, aponta Laura Camargo Feuerwerker, argumentando que, enquanto os hospitais de campanha serão desmontados após o fim da pandemia, a prioridade pela implementação da capacidade já existente poderia resultar em um legado pós-crise, “além de que seria mais fácil descentralizar [o atendimento de saúde], já que a rede básica está espalhada por toda cidade.”

Num momento em que a ocupação de leitos de UTI beira os 90% na cidade de São Paulo e nem mesmo os hospitais de campanha são capazes de suportar a demanda, passa a se considerar a transferência de pacientes para o interior do Estado. Laura Camargo Feuerwerker opina que a ideia não é boa. Tendo em vista o alto tempo de remoção, a medida não é viável, principalmente para pacientes graves. “Então, utilizar a capacidade instalada de hospitais privados entrará na pauta. Até porque, como a pandemia está se interiorizando, esses hospitais [do interior] serão necessários para responder às pessoas daquele lugar”, completa a professora.

Ouça a íntegra da entrevista no player acima.


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