Paulo Feldmann analisa de onde podem sair recursos para financiar o Auxílio Brasil sem usar precatórios

Na avaliação do economista, o governo faz uma chantagem com o Congresso para ser dispensado de pagar precatórios. O custo do programa representa menos de 3% dos gastos do governo federal

 30/08/2021 - Publicado há 3 meses
O Auxílio Brasil deve custar cerca de R$ 50 bilhões por ano. São aproximadamente 15 milhões de famílias beneficiadas – Foto: Agência Brasil – Fotos Públicas

O Auxílio Brasil, conhecido como o novo Bolsa Família, tem gerado discussões acerca de sua viabilidade econômica. Para conseguir sustentar o programa, o governo federal busca manobras a fim de abrir um espaço no orçamento.

A fonte de financiamento e o modelo do novo auxílio são analisados no Jornal da USP no Ar 1ª Edição pelo professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Na avaliação do professor, o governo faz uma chantagem com o Congresso para ser dispensado de pagar precatórios, dívidas determinadas judicialmente. Segundo Feldmann, o custo do programa representa menos de 3% dos gastos do governo federal. Portanto, é possível remanejar despesas para abrir esse espaço no orçamento “sem a necessidade de fazer essa barganha ilegítima com o Congresso”.

O Auxílio Brasil deve custar cerca de R$ 50 bilhões por ano. São aproximadamente 15 milhões de famílias beneficiadas com um rendimento que gira em torno de R$ 290 por família. “Praticamente 30% das famílias brasileiras dependem disso […], nós estamos em uma situação de pobreza no nosso país que não tem cabimento”, afirma. 

Apesar da importância do benefício, o professor ressalta que a correção do valor feita em relação ao programa anterior é muito pequena. “Teríamos que ter um reajuste maior e abranger um número maior de pessoas, porque muita gente ainda muito pobre não será contemplada”, diz. 

Segundo Feldmann, a geração de empregos é uma alternativa para diminuir a dependência do auxílio. “O grande problema brasileiro neste momento é o desemprego, isso seria resolvido com uma política de geração de empregos que o governo se nega a fazer”, afirma. “Então, a única saída é o Auxílio Brasil, você não pode deixar as pessoas morrerem de fome”, conclui.


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