Passado dos oceanos ajuda na análise de mudanças climáticas

Instituto Oceanográfico da USP apresenta trabalhos sobre mudanças climáticas em evento internacional

jorusp

Entre os dias 15 e 20 de setembro acontece a 17ª Reunião da Associação Internacional de Nanoplâncton (INA17), em Santos (SP). Organizado pelo Instituto Oceanográfico (IO) da USP, em parceria com a Associação Internacional de Nanoplâncton, o encontro conta com a participação de estudiosos de mais de 30 países. Pela primeira vez sediado em uma cidade do Hemisfério Sul, o evento vai reunir especialistas em estudar o passado dos oceanos, por meio dos nanofósseis e nanoplânctons calcários, compostos de organismos marinhos microscópicos, algas marinhas unicelulares que flutuam pelas águas dos oceanos. O Jornal da USP no Ar conversa com o presidente da Comissão Organizadora do INA17, professor Felipe Toledo, coordenador do Laboratório de Paleoceanografia do Atlântico Sul (LaPAS) do IO.

Os oceanos são fundamentais para o sistema climático, uma vez que reciclam metade do oxigênio que respiramos e absorvem metade do CO2 que emitimos através da queima de combustíveis fósseis. Os oceanos acumulam 97% da água da Terra e 95% de todo o carbono móvel, fornecendo alimento e oportunidades de sustento para garantir o bem-estar na Terra. “Estamos falando em controle climático global. Os oceanos funcionam como nosso termostato. Eles nos mantêm aquecidos, como podem esfriar o planeta”, comenta Toledo.

Por meio dos nanoplânctons calcários, os pesquisadores conseguem estudar as variações climáticas ao longo do tempo. “O cientista atua como um detetive do passado”, comenta Toledo. O professor explica que os nanoplânctons calcários ocupam todos os oceanos, “produzindo florações gigantescas que podem ser observadas do espaço”. A partir dos nanofósseis desses organismos, é possível estabelecer a idade de sedimentos marinhos, reconstruir o clima da época e, até mesmo, realizar projeções ambientais.

Alguns desses organismos microscópicos podem atuar como geradores de petróleo, ao transportar matéria orgânica para o fundo do oceano, explica Toledo. No entanto, o mais importante para a indústria do petróleo é, justamente, a datação dos sedimentos marinhos. “Ao determinar a idade de uma rocha, a indústria tem um guia para saber em que camada será possível encontrar óleo e gás”, esclarece o professor.

A vinda da Reunião da Associação Internacional de Nanoplâncton para o Hemisfério Sul é resultado do trabalho de pesquisa realizado no Instituto Oceanográfico. “Conseguimos construir uma massa crítica para trazer o evento para cá”, destaca o presidente da Comissão Organizadora.


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