Para especialistas, meio ambiente sofre por ações erradas e irresponsáveis

Para Pedro Jacobi e Ana Paula Fracalanza, o Brasil precisa de ações que visem ao desenvolvimento sustentável

No último dia 5 de junho, foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia. Mais do que ser mais uma data festiva sem grandes repercussões, esse dia se reveste de uma extrema importância devido aos muitos problemas ambientais que enfrenta o mundo contemporâneo: poluição do ar e da água, efeito estufa, aquecimento global, mudanças climáticas, desmatamentos e desertificação, por exemplo.

No Brasil, não só esse dia mas todos os outros deveriam servir para uma profunda reflexão acerca daquilo que se quer com o nosso meio ambiente. Com ações por vezes erráticas de um ministério que deveria justamente fortalecer e proteger as causas ambientais, mas que parece seguir na direção oposta, o País precisa mais do que nunca de políticas públicas e ações que visem à preservação e ao desenvolvimento sustentável.

Mas como e quando essas políticas serão efetivadas? Como falar de sustentabilidade e políticas públicas se o Ministério do Meio Ambiente bloqueia, por exemplo, 95% do orçamento para implementar políticas sobre mudanças climáticas no Brasil? E que medidas estão sendo tomadas no mundo para cuidar desse muitas vezes maltratado meio ambiente?

Para falar sobre meio ambiente, políticas ambientais e o futuro do planeta, o Diálogos na USP recebeu os professores Pedro Jacobi, professor titular sênior do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo e coordenador do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, e Ana Paula Fracalanza, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo.

Pedro Jacobi se demonstrou preocupado com o tratamento que o meio ambiente vem recebendo no Brasil. “Há um efetivo desmonte de uma série de ações e políticas implementadas há mais de 20 anos que vêm sendo desqualificadas pela atual gestão ambiental brasileira”, disse. O professor destacou como exemplo a situação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que vem sofrendo um desmonte.
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Ana Paula Fracalanza e Pedro Jacobi – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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A professora Ana Paula Fracalanza também atentou para a degradação do Conama, lembrando que, “com a Constituição de 1988, surgiu um princípio de política pública participativa, pensada para que houvesse a participação da sociedade civil”. Isso faz com o que tema se mantenha sempre à tona, já que “apesar de toda ideia que há atualmente do desmantelamento da política ambiental, há por parte da sociedade e das organizações não governamentais uma crítica constante”.

Recentemente, um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente se reuniu para debater o tema. Para Jacobi, o evento pode ser tratado como “uma manifestação de um conjunto de pessoas que tiveram um papel muito relevante nos últimos governos para dizer que as atuais propostas são absolutamente inadequadas, inconsistentes e irresponsáveis do ponto de vista da governança do meio ambiente no Brasil”.

Ana Paula apontou a importância que as universidades têm para o debate da questão ambiental. “Tanto na formação de quadros que trabalham com políticas públicas e na extensão, junto a comunidades.” A universidade não tem apenas o papel de formação, mas de educar a população para os problemas ambientais. A professora ainda relembrou a importância dos investimentos na educação, afirmando que “não há países desenvolvidos que não centrem suas políticas públicas em projetos educacionais”.

Acompanhe a íntegra do programa pelos links acima.

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